fevereiro 24, 2006

encontro (des)


Encontrei-a assim, num rectângulo de chão de rua conseguido azul, numa feira de "coisas velhas". Fiquei muito tempo a olhá-la sem lhe pegar. Queria não desfazer nada daquilo que ela guardava de uma qualquer vida que tivesse tido. Percebi as mãos de quem lhe imaginou este vestido e o aconchegou ao corpo de lã. Inventei os gestos cuidadosos que de certeza aconteceram para o entrançado do cabelo. Por isso não pude perceber como é que ela estava ali ... Guardei-a dentro da minha câmera, julguei que me chegava. Agora percebo que não.

15 comentários :

125_azul disse...

fui ao sacrè coeur e vi muitas bonecas espalhdas no chão, mas nenhuma tinha a sua poesia.
Entrei e la dentro é impossivel não pensar que se pedirmos com amor, acontecerà. Pedi que fique tudo bem com todas as mulheres que se encantam com poesia e bonecas com historia. desculpe, continuo a não atinar com o teclado!

Siddhichandra disse...

Lindo o sentimento de respeito pela vida secreta dos objectos.

Também acho e respeito toda a envolvência de todas as pequenas coisas.

As coisas de que gostamos adquirem alma. Uma vez num livro que se chama a Ciência dos Sacramentos (Leadbeater) dizia que uma reliquia que fosse falsa tinha o mesmo "poder" que uma verdadeira. Apenas pela devoção de que tinha sido alvo durante séculos.

Imaginem agora a áurea de um boneco de infância!

rosa disse...

que linda que linda, e que perfeio o azul debaixo dela e tudo à volta. Só tenho pena de não ver em maior.

Angela disse...

senti-me triste pela boneca. Achei que sentia frio! E você também...

Anónimo disse...

O Jean-Sol Partre dizia que imagem é consciência de alguma coisa, um acto. Por vezes, raras vezes, tenho essa sensação quando gravo um piano. As flautas também me laceram da mesma maneira. O sentir que só não agarro a melodia e me molho na harmonia por qualquer razão que me é alheia, mas que não é, e isso é certo, a incapacidade, mas sim um qualquer processo que não controlo, mas que está latente.

Senti o mesmo com esta imagem. Sim, o Leadbeater deve estar certo. Esse poder está lá!

isaac

(este espaço é MESMO confortável)

dora disse...

cheguei agora ao post que "nasci" ontem... nos cinco comentários que nele cresceram, leio o fio invisivel da cumplicidade de olhares ...comovo-me... um blog para mim servirá se for tear. (obrigada)

marcia cardeal disse...

Navegando cheguei até aqui. Alguma coisa que não é âncora me segura. Não dá vontade de sair. Às vezes a gente se sente tão em casa como só no próprio coração! Abraços.

kikazinha disse...

Muito trabalho por aqui Dora B.Mas ligoo para a semana.
Brevemente terás noticías minhas e do Mural digital.
E temos qe ir beber café e comer as minhas oatcakes pá! ;-)
Muito bonito este teu post.

Espero que um dia escrevas um livro para mim.Eu ia adorar e acho que funcionavam lindamente, um texto teu com as minas ilustrações.Seria como uma nuvem...

kikazinha disse...

Ah, e deixo-te este link de prenda.É a minha ilustradora mulher favorita!

www.anajuan.net

wiSHEs&HEros disse...

A beleza às vezes passa despercebida...

Folha de Chá disse...

Não chegava a imagem, faltava o calor do entrançado.

Angela disse...

Cheguei a separar uma touca e um cachecol cor de rosa para sua menina no chão azul. Não sabia como postar... fica o desejo.

dora disse...

:)

piero disse...

fantastic !

Anónimo disse...

Ela já pertence a uma criança que ainda não a descobriu. Serão muito felizes, não fique triste.