maio 28, 2006

"on a little road barely on the map" *

( com título, dedicado )

os poetas sabem que as palavras são corpos-viagem...
e que são caminhos...
e que acontecem gestos inteiros no dentro de quem lê.

...
"ouvir-te toda a noite e levar anos e anos a sentir-te" **
...


os mapas interessam pouco, os lugares...
as palavras são a duração do tempo despido
( e depois vivem no lado de nascer)


img de filipe abranches; *mushaboom- feist; **armando silva carvalho

9 comentários :

125_azul disse...

Os poetas sabiam até mais que Freud! Beijinho de bom domingo

Luís Filipe Cristóvão disse...

e os poetas ficam tímidos, ao sol.

rrrapha disse...

como sabem os poetas que eles próprios são poetas?
pode um poeta ter a certeza de o ser?
como é um poeta?
também ri?
também chora?
como beija?
beija com o coração?
também vai à igreja,
sem que um anjo qualquer lhe tente barrar a entrada?
sabiamos que o al berto era um poeta,
bastava olhar para ele.
mas o al berto morreu.
e agora?

Anónimo disse...

Os poetas não têm nada de especial são o que são e têm fome e têm sede e todas as outras necessidades secundárias ...
o resto é só mito ou charme ... que às vezes nos convence.


Ozias Filho

UrsaM disse...

Poetas não discutem...

Anónimo disse...

...um poeta nao tem a necessidade de saber que o é... apenas sabe que a sua vida é inundada de articuladas palavras, cores, sons, ditas ou escritas com a sensibilidade que o caracteriza....
os poetas sabem do que falas....do principe do castelo....

manu disse...

outro "mapa"

"...abres o mapa da europa e
assinalas o lugar perdido junto ao mar - o sol
fulmina a narceja e o leite sábio das mães
coelhou num sabor a plâncton e húmus

na floreira da janela virada ao mar
secaram os goivos dos navegantes e um cardo amarelo
irrompeu hirsuto e firme - o tempo chuvoso
alastra pelas ruelas insinuando-se na alma
uma babugem grossa de maresia - a europa afasta-se
com os seus falhanços ao som dos tambores de água

recordas assim a noite varada à porta dos grandes frios
o corpo carbonizado que perdeu a nacionalidade
as cidades sem nome o acidente a auto-estrada
o recado deixado no café a cerveja entornada
o alarme da noite a fuga
a terra dos gelos eternos a viagem sem fim a faca
rente ao pescoço e os comboios e a ponte ligando
a treva à treva
um país a outro país - onde dissemos coisas que matam
e largam rastros de aço nas pálpebras

mas
no cansaço da torna-viagem no desalento de tudo
o mapa da europa ficou aberto no sítio
onde desapareceste

ouço o atlântico e uivando de abandono
enquanto os dedos se cansam a pouco e pouco
na lenta escrita de um diário - depois
fecho o mapa e vou
pela crueldade desta década sem paixão"


Al Berto

a.mar disse...

Eu gostava de ser poeta, apanhar boleia de uma palavra e viajar por onde ela fosse e voltasse.

Anónimo disse...

Excellent, love it!
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