
e para o impossível
só devemos caminhar de olhos fechados
( como a fé e como o amor )
antónio botto - ()meus
img. amy alice thompson
O (festival de cinema independente) Indie 2007 já está preparado. Nele não resisto às curtas metragens. Porque temos de optar, tal como nos outros anos, é delas que encho os meus dias-Indie: são poemas, são micro-histórias, uma gargalhada, uma ferida, um duche rápido, um gesto que se lê... tudo junto em cada sessão, embalado no ambiente próximo que é este festival. Temos de ser precisos quando o tempo é curto; e essa é a única possibilidade de limpidez. Por isso sempre gostei e gosto de fragmentos nos diversos géneros artísticos ( com a exigente condição de serem começos inteiros em si, com a possibilidade simultanea de fim e de continuação ). As selecções de curtas a que tenho assistido aqui, certamente também pela qualidade da escolha e organização das sessões, são belos exemplos disso. Tudo sobre o Indie 2007 aqui.







"Numa excursão de ônibus escolar, ele estava com muita sede. Quando houve uma parada perto de um chafariz, ele foi o primeiro a chegar para beber. Colou a boca no orifício de onde jorrava a água. Depois que se saciou, abriu os olhos e viu que o orifício era a boca de uma estátua de mulher nua. Afastou-se, ficou olhando para a estátua. Fora seu primeiro beijo. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva. [...] Ele se tornara um homem.” 

Em Lisboa, 2 dias no início de Março, um bailado+uma ópera+uma história agida por 30 homens-e-mulheres-deuses. Feita de corpo ( mãos, pernas, braços, abraços, voz, cabelos ) e da água aonde se volta para nascer outra vez. feita de ar, sempre, e de céu onde o peso de dois é o equílibrio e o voo. feita do fundo e de raizes que mandam nas tempestades e fazem as vontades. feita do fogo que se acende, mas que é só luz para que a vida possa continuar depois... depois.






