julho 23, 2006

silêncio

Não dizia palavras,
Aproximava apenas um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.

Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as núvens.

Um contacto ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais em desejo.
Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.

Luís Cernuda

6 comentários :

macaso disse...

Muito bonito o teu blog!!

intruso disse...

palavras,
sorriso comovido...
:)

(beijo de bons sonhos...)

UrsaM disse...

lindo poema!

125_azul disse...

Porque não temos que saber todas as respostas. Nem sequer todas as perguntas... beijinhos

katraponga disse...

:)

vague disse...

Interessante a blogosfera, sempre em movimento:)
Sugestivo e bonito este título de blog, foi por ele, linkado algures, que vim, e caí em cima de um dos poemas de um autor de que muito gosto, Cernuda. Não o vejo muito por aí, pelo que é um prazer deixar umas palavras aqui.
E até breve :)