janeiro 03, 2008

o jogo da liberdade da alma

Se o toque não for decidido,
e o medo nos invadir,
não terei palavras para lho dizer.

Como dizer que uma lâmpada se funde inesperadamente
que um prato cai sem darmos por isso, quando isso é a própria queda,
que uma voz desaparece repentinamente de nos falar
que um afecto é, de facto, tudo (mas não de tudo quanto o prende)
que teria gostado de escrever romances
se o tempo não existisse
que se o toque fosse indiferente apenas existiriam atributos
ou, se preferes, enquanto acaricias esse espaldar só haveria vestidos,
e o corpo onde o deixarias
sem ter, sequer, a noção de afecto a quem o dar,
não olhes para mim com esse olhar.
Sem uma memória decidida,
as coisas desconhecidas flutuam.
Sim, imagino.
Disse-lhe, soletrando todas as letras,
o cheiro fasto que se desprende do espaldar é de um homem,
odor denso, de um homem incómodo, embaraçoso, opaco.
"Quem gostarias de ver a teu lado?"

maria gabriela llansol

6 comentários :

bruno disse...

hoje! muita gente que me faz especial, hoje, hoje mais que nos outros dias, os meus amigos.

logo,logo mais, aquela pessoa que se aproxima, e que verei logo.
hoje...
logo, onde o dia vira e nos mostra a imensidão da noite, aquele corpo que me deixa marcado pela saudade sempre que se fasta...

hoje,
apenas hoje,
...
desejo o mesmo de sempre.

Cometa 2000 disse...

Muito bonito este texto dora.
Não conhecia.
Pede que o use.
[Se é que já não o fiz...]

:)

dora disse...

muito feliz por lermos juntos este texto...

intruso disse...

belissimo poema... mesmo.

...


beijos

Ele disse...

Muito bom, muito bom.

Sombr|A|rredia disse...

Gostei de vir aqui :)