março 21, 2006

para a dulce


que hoje fez nascer uma estrela.
foto awfulsara

resting on a warm scenery


... and, slowly, turning the pages for spring .
foto minha

março 19, 2006

cristina valadas



Entramos noutro mundo. E o nosso olhar estica-se e tem vontade de se espreguiçar, para logo a seguir voarmos porque é um mundo aéreo e lânguido. Comunica noutra língua que começará por certo no silêncio; depois no olhar lavado e directo, apesar da leveza. Por isso, algumas das figuras são só contornadas, não é preciso mais. Contam muitas histórias. Sente-se o prazer e o riso. Sente-se a muito força de ser.
Os livros que tenho com as ilustrações de Cristina Valadas estão naquela prateleira especial: "livros para ver muitas vezes porque são sempre outros de cada vez que se abrem". Viajo muito nestas ilustrações em direcção a um "dentro" silencioso cheio de luminosidade. Já ofereci vezes sem conta A Rapariga e o Sonho e O Perfume do Sonho, na Tarde com as palavras magistrais da Luisa Dacosta nascidas para os desenhos.
Ontem, inaugurou no Barreiro uma retrospectiva do trabalho de pintura e ilustração de Cristina Valadas. É um privilégio visitá-la. E depois, como é muito difícil querer e conseguir sair deste espaço, é impossivel resistir ao catálogo concebido e trabalhado por Rui Mendonça para esta exposição. O design do livro conhece por dentro as imagens e os meandros invisiveis deste universo, quer servi-lo, e isso sente-se neste objecto que inclui textos de escritores que contam "histórias" sobre a Cristina.
"a arte NA PÁGINA", assim lhe chamaram JÚ Godinho e Eduardo Filipe a quem devemos a organização desta excelente exposição, pode ser visitada até 14 de Maio.
De 3ª a dom. - 15 e as 20h - Auditório Municipal Augusto Cabrita ( 21.2141319 )

março 17, 2006

"soñamos despiertos"















Ela diz: "soñamos". Ele diz: "despiertos".
Ela prepara-se em direcção ao azul, à forma sem forma, à lua.
Ele, vestido de azul, precisa do chão e da terra.
Ela voa. Ele descansa.
Viram ao contrário a carta de jogar... Mas ao contrário é que era.
Despiertos sonham os dois a dois.
Eles...

ilustração de Eva Armisén cujos trabalhos, pela vida, me encantam.

março 16, 2006

king size illustration













Parece o país da Alice... de repente acordamos e o mundo ficou gigante... ou fomos nós que encolhemos ?!
E se de repente fosse possivel viver numa ilustração, com uma ilustração... e se a parede se transformasse numa parede-ilustração?
Esta foi a proposta feita pela Carla Pott à Freidigital:
murais digitais.
Proposta aceite, ideia ( muito bem ) concretizada.
Alguns dos trabalhos da Carla - tanto da área da ilustração infantil como para adultos - constituem o portfolio de fontes à escolha para os murais, são constantemente actualizados e podem ser vistos aqui.
Parabéns!

março 15, 2006

fundo


foto de Tim Petersen

março 14, 2006

"humm-ideia"


o design é absolutamente italiano: cono gelato
o sabor é absolutamente italiano: pizza
cono gelato+pizza = KONOPIZZA !

março 13, 2006

risco


Lilith. Nome de mulher e nome de lua ainda mais profunda. Nunca tinha visto este filme de 1964. A palavra inglesa era rapture. O tradutor português chamou-lhe arrebatamento. Numa das cenas, alguém explicava:
"- ...arrebatamento. No tempo de Shakespeare significava loucura, tal como frequentemente as palavras êxtase* e inocência."
E fiquei a pensar nesta só aparentemente ténue fronteira de significações. Acho que foi Lobo Antunes quem ouvi dizer que a margem de manobra da decisão - são/louco - depende absolutamente do grau de tolerância, claramente subjectivo, do médico que assina o papel. Do seu próprio grau de arrebatamento, inocência ?!
Pelos vistos, dependerá também e ainda da época e dos costumes em que vivemos e, acima de tudo, das palavras que escolhemos para designar os estados da alma.
As palavras...
* aqui, e apenas por tentativa de fidelidade, a responsabilidade da palavra portuguesa é minha; a legendagem escolhia curiosamente a palavra paixão, a partir do script original inglês ecstasy.
As ilustrações são da minha querida Madalena Ghira para a agenda da paz 2006.

março 11, 2006

composing spring



Tenho tudo numa caixinha: os raios de sol que desde Janeiro me vão entrando pela janela, graus de calor subidos às temperaturas normais de inverno, três vestidos de papoilas valentes resgatadas à ventania, gotas frescas de dia novo que pousam na terra ao amanhecer, risos de meninos pequenos, risos de meninos grandes, o voo dançado de um bando de pássaros, dois ninhos de cegonhas, o zumbindo amarelo torrado de 7 abelhas... Em segredo, preparo-me para a Primavera.
pormenor de "fairies" de Martin O'neill via poppytalk

março 08, 2006

histórias de princesas...


... antes do "e viveram felizes para sempre".

ilust. de Anne herbauts

março 07, 2006

bla bla bla



Uma expressão linda e doce como quem a disse:
"conversa de bolacha-bolachinha"

março 06, 2006

Xavier



O Xavier tem três anos mas parece ter mais: para além de fisicamente crescido, tem aquela autonomia e segurança que muitos adultos nunca encontrarão. Escolhe cores vivas e usa a página inteira com um traço firme, grosso, bem inscrito . Tinha já decidido parar de desenhar para brincar a envolver uma pequena caixa de cartão com uma serpentina. De repente, avisa que está a pensar numa história de elefantes.
- Pode ser que caibam na caixa, o que achas? - perguntei eu.
Não ficou muito convencido, mas foi testar no papel. Assim nasceram: primeiro, o pai elefante à direita seguido da mãe, comprida e elegante, e depois o filhinho, no meio.
- E cá em baixo?
- Aqui é o brinquedo do filho.
E depois disse-me:
- Sabes o que é que o papá faz? O papá faz as brincadeiras... e a mamã ralha. Ah, e só o filho é que cabe na caixa.

Gostei muito de conhecer o Xavier. Estava vestido de um cor de laranja feliz.

março 04, 2006

as casas também choram...


ilustração de Marta Neto, uma das artistas da "ilustra"

Não sei o que aconteceu... ( ou, se calhar sei! ) ... mas não é possível que, no mesmo dia, em dois lugares diferentes da casa, canos distantes e sem relação directa se ponham a pingar. Foi o que se passou hoje. Primeiro na cozinha, por baixo do lava-louças, discretamente, mas já tinha enchido duas panelas. Fechei o contador até à ajuda prometida amanhã. Não suportando conter-se, agora é a torneira do próprio contador ( fechado ) que pinga!

Coincidências em demasia...

março 03, 2006

moving images



No blog da Ana, descobri The Book of Numbers,
um site incrível da BubblyNumbers.

...


Hopper

" Há no mundo inteiro uma,
quando muito, rua
difícil de encontrar "


Luiza neto jorge

março 01, 2006

found titles


O engraçado desta capa é que não percebo se os livros voam das ou para as gavetas.
Que título ( de verbo e imagem ) ! Apanhei-o às 22.58h, 2 exactos minutos britânicos antes da Borders fechar na última vez que estive em Londres. Não o abri. Acho que foi para que, na pressa desses derradeiros segundos, os livros perdidos-achados não corressem o risco de se perderem, voando eventualmente outra vez.
E agora, com esta fotografia, acabo de perceber que perdi mais um livro que nunca tinha encontrado... se repararem na lombada azul, à direita, diz: "Self-Invention". ( É absolutamente um título para mim, independentemente daquilo que tratar ). Vou procurá-lo.

fevereiro 28, 2006

VO(lt)AR ... ?


"migratory love" de Amy Ruppel

fevereiro 26, 2006

libro de nanas


O mundo das rimas infantis tradicionais é-me fascinante. Está cheio de abraços, colos, embalos, mas também de sustos terríveis e fantasmas. Dos vários que tenho sobre o assunto, guardo um livro precioso... Libro de Nanas, da Mediavaca. Tenho-o pela encadernação e sobretudo, pelas ilustrações da Noemi Villamuza. São absolutamente coerentes com este mundo dos inícios: doces e ríspidas, às vezes mesmo em simbiose completa de antagonias. A mão que risca é nítida nos traços e sombras feitos a carvão e isso acentua esta ideia de vida assim ( forte e frágil ) que é a nossa desde sempre. A história das rimas de embalar é também a história das mães, que antes disso são pessoas e mulheres. É um mundo fascinante.

fevereiro 24, 2006

encontro (des)


Encontrei-a assim, num rectângulo de chão de rua conseguido azul, numa feira de "coisas velhas". Fiquei muito tempo a olhá-la sem lhe pegar. Queria não desfazer nada daquilo que ela guardava de uma qualquer vida que tivesse tido. Percebi as mãos de quem lhe imaginou este vestido e o aconchegou ao corpo de lã. Inventei os gestos cuidadosos que de certeza aconteceram para o entrançado do cabelo. Por isso não pude perceber como é que ela estava ali ... Guardei-a dentro da minha câmera, julguei que me chegava. Agora percebo que não.