setembro 04, 2007

... e força







ao andré , amanhã voador : )







img. andré da loba

agosto 30, 2007

agosto 25, 2007

on danse


de montalvo e hervieu aqui e aqui e aqui.
( talvez os veja passar, amanhã, à janela enquanto voar )

agosto 22, 2007

Vartina. The Magician


"The strange case of this woman was that she became engrossed of playing with her pendulum and hypnotised herself. And it was thanks to or because of that, that from
then on, she only obeyed her own orders."
Riki Blanco, magnífico em Cuentos Pulga .

agosto 21, 2007

entrar




















... vale a-pena(s), pelas ilustrações do andré da loba


( livro as ruínas de conimbriga, desde 18 de agosto em quiosques e lojas
de jornais e revistas)

agosto 18, 2007

agosto 14, 2007


















img. eric carle
saquinhos transparentes, pipocas ( disse ele ).
roubámos doce, o maior de todos só para nós,
antes de escurecer o azul
e a película nascer luz redonda de lua.

agosto 13, 2007

ladyinlovebugs















( para rimar com esta colecção )
img. c. haper

agosto 09, 2007

julho 29, 2007

andanças









vou ali dançar muito
( e já venho )
img.montagne

julho 27, 2007

julho 24, 2007

julho 22, 2007

tracing spoons

















2 ( 1 casal )
frente a frente
demoradamente
concentrados
mais
no olhar
que no sabor
branco
abaixo.

julho 19, 2007

seis, no mínimo

- Não serve de nada tentar - disse Alice, - uma pessoa não consegue acreditar em coisa impossíveis.
- Permito-me afirmar que não tem tido muita prática - disse-lhe a Rainha.- Quando a tinha a sua idade, treinava sempre meia hora por dia. Chegou-me a acontecer ter acreditado em pelo menos seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço.
Lewis Caroll, Alice no País das Maravilhas;
img. amy alice thompson

julho 16, 2007





Then, with a pounding heart, he revealed to her the fact that he sprouted flowers all over himself during the full moon.
The boy who grew flowers il. steve adams.

julho 11, 2007

eco.amarelo

As indicações contraditórias - nos próprios contentores e folhetos informativos - acerca de onde colocar as embalagens tetrapack para reciclagem, têm-me feito irritantemente alternar entre o azul e o amarelo, de cada vez que desço lá abaixo, carregada de três saquinhos diferentes para transformar. Farta da ambivalência, descobri finalmente que o consenso parece começar a instalar-se: as embalagens de leite, sumos e afins devem ser colocadas no ecoponto amarelo, aquele que corresponde a embalagens.

julho 10, 2007






















work&shop inaugura Sábado, 21julho, a partir das 19h.

julho 08, 2007

aniversar

cesto surpresa, magnífico em frutas e chocolates recebido em correio expresso, de Londres e comida boa preparada pela mãe; caminho em direcção ao sul, mergulhando a 38º na ribeira secreta da F., até ao anoitecer das libelinhas azuis em acasalamento; costas no chão de alcatrão da estrada ainda quente para ler as estrelas de barriga para o ar; velas acesas em bolo de flores miudinhas, apagadas num sopro-muitos desejos ao nascer nu da lua, ao mesmo tempo que eu, outra vez: hoje, à meia-noite, in ara celli, o altar do céu, flutuando 2 km acima do chão de planíce cor de todo os sóis, durante o dia. Luminoso e tranquilo, coado por alfazema e salva, nasce manhã o novo ano. Depois, ao fim da tarde, as cegonhas voadoras guardam-se nos ninhos para a volta. E eu trago-me a estrear, descobrindo papoilas inventadas na velocidade morna da janela, ao compasso de muitas letras em carreirinhos, escritas ou faladas no ecran guardado no meu bolso durante todo o dia. Encho-me de inícios lavados, plenos das muitas pessoas bonitas que moram no meu mundo.

julho 06, 2007

mush rooms



reading mushrooms,
this afternoon,
on the green grass,
on my lap,
on my book.
( little lampshades )


who lives in a room called mush?

julho 05, 2007

behind






leaving...
img. selda soganci (trabalhada)

julho 02, 2007

destecer


A Moça Tecelã: Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear. Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte. Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela. Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza. Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias. Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado. Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta. Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida. Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer. Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira. Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos! Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Marina Colassanti

julho 01, 2007

junho 27, 2007

relógios

quanto tempo dura um beijo bom?

quanto tempo passa um rebuçado na tua boca antes de derreter?

quantos momentos cabem num sorriso?

o que mede um piscar de olhos?

quanto tempo demoras a responder "que horas são"?

... perguntas para construir relógios que não têm números nem ponteiros e não se usam presos a nós, pelos pulsos.
Já terminámos a preparação da oficina que nasce 6ª feira nos jardins do mundo, mas não param de me vir à cabeça medidores de tempo alternativos e outras fitas métricas sem centímetros. Quem como eu preferir estas outras escalas, deixe em comentário respostas (ou perguntas) sobres elas, para que o tempo acorde e tempo seja verdadeiramente, e melhor... quanto tempo demora escrever o tempo que não está dentro do relógio?


"um minuto é o tempo que levamos a pensar em qualquer coisa e a dizê-la por palavras. Em dois, consigo ler uma página do meu livro. Uma hora é o tempo que a água da banheira leva a arrefecer... ou o tempo que o avô demora a ler o jornal. Ou que gastamos os dois a passear o cão.

(...) Sabes que o dia acabou quando a tua mãe te dá um beijo de boa noite. "

o relógio da minha avó
de Geraldine Mccaughrean;
img. de planeta tangerina (para o centro cultural de cascais)

junho 22, 2007

cosas que te pasan si estás vivo

liniers, um site do ilustrador argentino Ricardo Liniers Siri, descoberto entre os muitos desenhos de mariana massarini.

junho 21, 2007

irresistível

"Li o livro muito tarde e fiquei perturbada por ninguém me ter dito que era a mais bela história de amor entre um homem e uma mulher(...)
O que me interessou foi a narrativa minuciosa de um processo de amor entre duas pessoas que começa por uma atracção física e que, a partir dessa atracção, permite que elas se libertem das identidades as encerram.
Gosto muito como o pôr a nu das personagens é uma coisa só, reúne o físico e o interior. Pouco a pouco, eles despem-se, um frente ao outro... e queremos também pôr-nos nus."
Pascale Ferran, realizadora de Lady Chattterley ( entrevistada por Vasco Câmara para o Público )

junho 20, 2007

(des)mapas








Nunca ninguém se perdeu, tudo é verdade e caminho.
Pessoa
( de quem ontem a Joana falava, enquanto caminhavamos ).
img. elena odriozola

junho 17, 2007

folha em branco
















( e outras possibilidades luminosas ... )

junho 15, 2007

sapos muito tontos
















assim me chegou, linda
porque somos umas princesas...
( obrigada querida Carla ; )

junho 14, 2007

tenho sempre esta vontade de ser pássaro

... e normalmente é o voo transparente que me agarra e leva. Hoje, nesta ilustração da sara fanelli, é o chão vermelho ( céu e casa também ) e o divertido despenteado das penas. É o azul forte e o fogo, os olhos de gente, as pernas altas de outra coisa qualquer: voam no chão, os/a três.

junho 13, 2007

tonight:


















img. junzo terada

junho 10, 2007

conta-me um conto que nunca contasses a ninguém

É um blog. Fala. Diz alto o que as palavras escritas dizem em silêncio, aquelas que nasceram dos lápis, canetas ou teclas dos poetas. E mais: diz cada uma delas e o seu conjunto, por isso diz também os espaços vazios entre elas, as ligações subtis e os sentidos secretos das palavras. Diz aquilo que é raro ouvir e tão bem dito: POESIA / LITERATURA.
A voz ( e o corpo ) falante pertence à Cristina Paiva. A sonoplastia é do Fernando Ladeira. Juntos são a Andante que, de lugar em lugar, anda com as palavras às costas para que à volta da língua nos encontremos. É notável e único o seu trabalho. Feliz notícia a deste blog de ouvir.
img. marta dal prato (trabalhada)

junho 08, 2007

son(h)o

















nasce do azul ali ao lado, fundo e calado. estica-se. pisa em círculos as penas lá
dentro e vai escorregando a gosto por ali. depois encaracola-se ( e eu sei porquê )
muito quieto até florescer.

junho 07, 2007

sono












) sonho ? (
img.charlotte gastaut

junho 01, 2007

o jardim do mundo














Os Jardins da Fundação Gulbenkian estão em festa feliz. De hoje a 8 de Julho, em todas as sextas, sábados e domingos acontece uma espécie de segunda Primavera, feita por muitas pessoas para muitas, muitas outras. São ao todo seis fins de semana cheios de eventos que convidam a fazer, a ver, a estar (muito) bem, seguindo a linguagem maior desta instituição - a das artes. Trazendo-a para o jardim, assim, em bando solto como as papoilas, cumprem-se ambos mais ainda: as artes e o jardim. Soa a vida. Faz-se o mundo, nasce a sério, porque se enche de gente. Aqui, um resumo do que está a acontecer. Quando chegamos, há mapas e calendários precisos para que nos guiemos e deixemos ir por títulos como "o fio da história", "jardins imaginários", "objectos de vento e luz"... Estas fotografias são de hoje. Pertencem aos "livros e cadernos de viagem". Amanhã o jardim renasce colorido e disponível ( ... bom pertencer-lhe ).