
frente a frente
demoradamente
concentrados
mais
no olhar
que no sabor
branco
abaixo.
- Não serve de nada tentar - disse Alice, - uma pessoa não consegue acreditar em coisa impossíveis.
As indicações contraditórias - nos próprios contentores e folhetos informativos - acerca de onde colocar as embalagens tetrapack para reciclagem, têm-me feito irritantemente alternar entre o azul e o amarelo, de cada vez que desço lá abaixo, carregada de três saquinhos diferentes para transformar. Farta da ambivalência, descobri finalmente que o consenso parece começar a instalar-se: as embalagens de leite, sumos e afins devem ser colocadas no ecoponto amarelo, aquele que corresponde a embalagens.
cesto surpresa, magnífico em frutas e chocolates recebido em correio expresso, de Londres e comida boa preparada pela mãe; caminho em direcção ao sul, mergulhando a 38º na ribeira secreta da F., até ao anoitecer das libelinhas azuis em acasalamento; costas no chão de alcatrão da estrada ainda quente para ler as estrelas de barriga para o ar; velas acesas em bolo de flores miudinhas, apagadas num sopro-muitos desejos ao nascer nu da lua, ao mesmo tempo que eu, outra vez: hoje, à meia-noite, in ara celli, o altar do céu, flutuando 2 km acima do chão de planíce cor de todo os sóis, durante o dia. Luminoso e tranquilo, coado por alfazema
e salva, nasce manhã o novo ano. Depois, ao fim da tarde, as cegonhas voadoras guardam-se nos ninhos para a volta. E eu trago-me a estrear, descobrindo papoilas inventadas na velocidade morna da janela, ao compasso de muitas letras em carreirinhos, escritas ou faladas no ecran guardado no meu bolso durante todo o dia. Encho-me de inícios lavados, plenos das muitas pessoas bonitas que moram no meu mundo.

quanto tempo passa um rebuçado na tua boca antes de derreter?
quantos momentos cabem num sorriso?
o que mede um piscar de olhos?
quanto tempo demoras a responder "que horas são"?
... perguntas para construir relógios que não têm números nem ponteiros e não se usam presos a nós, pelos pulsos.
Já terminámos a preparação da oficina que nasce 6ª feira nos jardins do mundo, mas não param de me vir à cabeça medidores de tempo alternativos e outras fitas métricas sem centímetros. Quem como eu preferir estas outras escalas, deixe em comentário respostas (ou perguntas) sobres elas, para que o tempo acorde e tempo seja verdadeiramente, e melhor... quanto tempo demora escrever o tempo que não está dentro do relógio?
"um minuto é o tempo que levamos a pensar em qualquer coisa e a dizê-la por palavras. Em dois, consigo ler uma página do meu livro. Uma hora é o tempo que a água da banheira leva a arrefecer... ou o tempo que o avô demora a ler o jornal. Ou que gastamos os dois a passear o cão.
(...) Sabes que o dia acabou quando a tua mãe te dá um beijo de boa noite. "
o relógio da minha avó de Geraldine Mccaughrean; img. de planeta tangerina (para o centro cultural de cascais)
liniers, um site do ilustrador argentino Ricardo Liniers Siri, descoberto entre os muitos desenhos de mariana massarini.
... e normalmente é o voo transparente que me agarra e leva. Hoje, nesta ilustração da sara fanelli, é o chão vermelho ( céu e casa também ) e o divertido despenteado das penas. É o azul forte e o fogo, os olhos de gente, as pernas altas de outra coisa qualquer: voam no chão, os/a três.


Os Jardins da Fundação Gulbenkian estão em festa feliz. De hoje a 8 de Julho, em todas as sextas, sábados e domingos acontece uma espécie de segunda Primavera, feita por muitas pessoas para muitas, muitas outras. São ao todo seis fins de semana cheios de eventos que convidam a fazer, a ver, a estar (muito) bem, seguindo a linguagem maior desta instituição - a das artes. Trazendo-a para o jardim, assim, em bando solto como as papoilas, cumprem-se ambos mais ainda: as artes e o jardim. Soa a vida. Faz-se o mundo, nasce a sério, porque se enche de gente. Aqui, um resumo do que está a acontecer. Quando chegamos, há mapas e calendários precisos para que nos guiemos e deixemos ir por títulos como "o fio da história", "jardins imaginários", "objectos de vento e luz"... Estas fotografias são de hoje. Pertencem aos "livros e cadernos de viagem". Amanhã o jardim renasce colorido e disponível ( ... bom pertencer-lhe ).
Maria Gabriela Llansol foi distinguida com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores com livro amigo e amiga - curso de silêncio . De novo se celebra a qualidade desta escritora, sendo aqui duplo o sentido: "de novo" como continuidade interrupta; "de novo" significando renascer.
" All children, except one, grow up. They soon know that they will grow up, and the way Wendy knew was this. One day when she was two years old she was playing in a garden, and she plucked another flower and ran with it to her mother. I suppose she must have looked rather delightful, for Mrs. Darling put her hand to her heart and cried, "Oh, why can't you remain like this for ever!" This was all that passed between them on the subject, but henceforth Wendy knew that she must grow up. You always know after you are two. Two is the beginning of the end. "----j


depois de saltos e saltinhos, ao pé coxinho e sem pisar o risco, provando tudo o resto no equilíbrio ballético do apanhar da pedra, porque é que chegar ao céu não chega e é na descida e no recomeço eterno da viagem que o jogo é possivel? ( então não lhe chamem céu! )
ps. sabe-se que por isso, a macaca era o jogo infantil preferido de Penélope.
img. alain korkos
