junho 10, 2007

conta-me um conto que nunca contasses a ninguém

É um blog. Fala. Diz alto o que as palavras escritas dizem em silêncio, aquelas que nasceram dos lápis, canetas ou teclas dos poetas. E mais: diz cada uma delas e o seu conjunto, por isso diz também os espaços vazios entre elas, as ligações subtis e os sentidos secretos das palavras. Diz aquilo que é raro ouvir e tão bem dito: POESIA / LITERATURA.
A voz ( e o corpo ) falante pertence à Cristina Paiva. A sonoplastia é do Fernando Ladeira. Juntos são a Andante que, de lugar em lugar, anda com as palavras às costas para que à volta da língua nos encontremos. É notável e único o seu trabalho. Feliz notícia a deste blog de ouvir.
img. marta dal prato (trabalhada)

junho 08, 2007

son(h)o

















nasce do azul ali ao lado, fundo e calado. estica-se. pisa em círculos as penas lá
dentro e vai escorregando a gosto por ali. depois encaracola-se ( e eu sei porquê )
muito quieto até florescer.

junho 07, 2007

sono












) sonho ? (
img.charlotte gastaut

junho 01, 2007

o jardim do mundo














Os Jardins da Fundação Gulbenkian estão em festa feliz. De hoje a 8 de Julho, em todas as sextas, sábados e domingos acontece uma espécie de segunda Primavera, feita por muitas pessoas para muitas, muitas outras. São ao todo seis fins de semana cheios de eventos que convidam a fazer, a ver, a estar (muito) bem, seguindo a linguagem maior desta instituição - a das artes. Trazendo-a para o jardim, assim, em bando solto como as papoilas, cumprem-se ambos mais ainda: as artes e o jardim. Soa a vida. Faz-se o mundo, nasce a sério, porque se enche de gente. Aqui, um resumo do que está a acontecer. Quando chegamos, há mapas e calendários precisos para que nos guiemos e deixemos ir por títulos como "o fio da história", "jardins imaginários", "objectos de vento e luz"... Estas fotografias são de hoje. Pertencem aos "livros e cadernos de viagem". Amanhã o jardim renasce colorido e disponível ( ... bom pertencer-lhe ).

maio 30, 2007

S de sem












img.from sasha waltz and friends

maio 26, 2007

maio 24, 2007

__________________ sol

Maria Gabriela Llansol foi distinguida com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores com livro amigo e amiga - curso de silêncio . De novo se celebra a qualidade desta escritora, sendo aqui duplo o sentido: "de novo" como continuidade interrupta; "de novo" significando renascer.
Neste prémio, a escritora, a voz única, a obra. Neste prémio, o Amigo (e as Amigas). Neste prémio, a possibilidade da vida.
"ninguém poderá nunca negar a uma mulher, chamada Maria Gabriela Llansol, um poder gigantesco e explosivo e avassalador de criar. A alegria que nos invade ao saber da atribuição deste prémio, não é normal. Não é aquela que teríamos por um amigo ou por nós próprios. A alegria é convocada pela obra. Como se o leitor estivesse dentro da obra e se revisse nela mais facilmente que em si próprio." Mafalda Ivo Cruz

maio 22, 2007

growing oranges trees


















meio-zen, meio-jogo, uma hipótese feliz a lembrar os periscópios caleidoscópios.

maio 20, 2007

para que servem os mapas ?



... para nos guiarem passos ou para guardarem os caminhos que fizemos, de modo a que não os esqueçamos ( e assim não nos percamos de nós ) ?






il. perrin renaud

maio 18, 2007

" All children, except one, grow up. They soon know that they will grow up, and the way Wendy knew was this. One day when she was two years old she was playing in a garden, and she plucked another flower and ran with it to her mother. I suppose she must have looked rather delightful, for Mrs. Darling put her hand to her heart and cried, "Oh, why can't you remain like this for ever!" This was all that passed between them on the subject, but henceforth Wendy knew that she must grow up. You always know after you are two. Two is the beginning of the end. "----j
j.m.barrie, Peter Pan.



fotos: cartaz no metro de londres, há três dias

maio 12, 2007
























img. regis lejonc ( alterada )

maio 11, 2007

esta noite assim














img. Carll Cneut (original fotografado - pormenor)

maio 10, 2007

who are they ? why....? what...?











o alinhamento de planos e o uso da cor como significante; concorrente - e por isso ampliando
muito o texto - da referencialidade da imagem.

il. sandra poirotte

maio 09, 2007

u-mag








magazine online de artes e cultura urbana, uma edição especial assinada pela
dupla carla pott e paula horta.

maio 08, 2007

jogomacaco



depois de saltos e saltinhos, ao pé coxinho e sem pisar o risco, provando tudo o resto no equilíbrio ballético do apanhar da pedra, porque é que chegar ao céu não chega e é na descida e no recomeço eterno da viagem que o jogo é possivel? ( então não lhe chamem céu! )
ps. sabe-se que por isso, a macaca era o jogo infantil preferido de Penélope.

img. alain korkos

maio 06, 2007

life (too much real)

"Ils sont tous deux convaincus qu'une passion soudaine les a réunis. Une telle certitude est belle, mais l'incertitude est plus belle chose encore".
from Coup de Foudre de Wislawa Szymborska, citação que abre Si proche, Si loin de jimmy:
( la vie est imprévisible: un instant vous maîtrisez le cerf-volant, puis la ficelle se rompt. Ils se perdent. Le ciel se cache derrière un voile de nuages gris. Il continue de tourner à droite, elle continue de tourner à gauche... jusqu'à la fin? )

maio 04, 2007

ma voisine est amoureuse : )





















foto: steve prezant ; livro: regis lejonc

maio 02, 2007

3 vezes feliz ( e depois mais... )







...com a selecção do La Double Vie de Veronique para os Thinking Blog Awards.
Independentemente do que signifique a designação deste "prémio", fico feliz quando percebo que aqui é um lugar onde se trocam coisas. Obrigada à Alice, ao ZM e ao João. Os mundos deles guardam-se atrás de cada uma destas imagens ( basta clicar ). Poderia ter sido eu a nomeá-los porque são lugares ( e pessoas ) dos meus dias.
Fazer uma lista... ?!
Não é nada assim que vivo os blogs que constroem meu mundo, nunca foi. É-me artificial. Visito muitos, variados - em género, temáticas, forma de expressão textual, opções gráficas... -. Uns são-me importantes porque vou visitar amigos de "carne e osso", independentemente do resto; outros por tudo, outros por nada; uns porque sim, outros porque calha, porque tropeço a caminho, porque apetece, porque me reconheço e amplifico; uns por afinidade extrema e encontro, outros pelo contrário; uns lentamente, outros sobrevoando; uns todos os dias, outros amanhã depois de anteontem... o meu mundo faz-se de misturas e de sinergias interdependentes nesse começo que sou eu num dado momento, novo de cada vez. Gosto dos acasos, da fluidez ( e por isso sou muito avessa a fixar o que por natureza é e deve ser gesto ). A minha estrutura cresce árvore, sol ou alga miudinha e desta maneira se desenham as minhas viagens nesta comunicação feita assim, que felizmente pode ser feita assim, sem mapa, mas com instinto.
Tendo desenhado, procurando não o fazer ; ) - até para mim própria - como me movo ( e julguei sempre que um ponto final bastaria agora para terminar este post ), estranhamente fico com a sensação de que desta vez não chega: a natureza deste movimento de nomeação ( e que me deu felizes as notícias de que o La Double Vie de Veronique é significativo nos percursos de outros ), obriga-me a responder, como num diálogo; ou a continuar o movimento do novelo ( o que aqui significa isso mesmo ). Alterarei minusculamente as regras: excluo os já acima indicados três blogs, consulto o histórico de hoje relativamente aos blogs que aleatóriamente visitei ( pelas razões mais variadas, volto a subinhar
) e indico seis deles (porque gosto do número seis). São "blogs meus", importantes na minha geografia, porque hoje ( ou outra vez hoje ) passei por lá: 1.o fabuloso construtor de atmosferas que já inventámos de outra maneira um amor atrevido; 2.o delicado espaço da minha amiga argentina que não conheço ( mas conheço! ) una flor de papel; 3.as janelas de autor com sol de lisboa dentro( independentemente de morarem na Bélgica, ou de quando mostram chuva ou outro estado de tempo qualquer ), fotografadas em luminosas palavras, ritmo compassado, assumidamente destemido (mas, talvez por isso, ao mesmo tempo pessoal), design que diz, e carrosséis hipnotizadores em f-world; 4.a casa da camilla engman no outro lado da Europa, cheia das ilustrações com que nos cruzámos em Bolonha; 5. o blog de ilustração que, de link em link, por acaso fui lá ter, e "oh que pena é tão curtinho e já está desactivado", katyart: News; ou 6. o capítulo 0 que descobri porque um dia veio espreitar-me.
Pronto! .... ( ai! ) ( um minúsculo véu ).

abril 26, 2007

pólen














.... bem-me-quer !

abril 23, 2007

caê .... sozinho

( porque continua a emocionar-me )

abril 19, 2007

miaaaaaaaauuuuuu......













mora cá em casa desde que nasceu, num dia de agosto no ano passado.
gosta dos lugares altos nas paredes da cozinha, onde permanece a maior parte do tempo a imaginar o mundo de cima para baixo.
quando se aborrece, atira-se ao chão, à espera de quem o vá apanhar munido dos habituais primeiros socorros da fita-cola double face ( é uma maneira de conseguir mimo, sem ter de o pedir ou de o dar ).
hoje resolvi colá-lo aqui, não vá ele mudar de estratégia e perceber que a janela da varanda é já ali ao lado.
A dona deste incrível gato chama-se Maria. Tinha seis anos quando ele lhe saltou de dentro da caneta castanha .

abril 13, 2007

guarda-chuva... chapéu de sol... sombra pequenina: sombrinha... paraqueda(s)...








o cogumelo
Por que é que o cogumelo,
nunca tira o chapéu?
É porque não tem cabelo
ou será porque tem medo,

que lhe caia em cima o céu?




img: leo hillier . poema: jorge sousa braga
ps. se só se guarda uma chuva... se os chapéus não são de sois...
por que razão em português esperamos sempre as quedas no plural?

abril 10, 2007

plantas





foram fotografadas pelo sol num amor longo. o papel roubou-lhes as sombras e guardou-lhes a alma. Só se deixam ser vistas por determinadas pessoas, dizem que muitos poucas, pessoas que têm uns olhos especiais imunes ao negro das sombras.
foi fotografada pela areia num amor longo...
o fabuloso livro é o Grand Herbier D'ombres da lourdes castro. a areia é de um lugar próximo no tempo.

abril 07, 2007

they don't have meetings about rainbows



Cole -
[In school] we were supposed to draw a picture, anything we wanted. I drew a man who got hurt in the neck by another man with a screwdriver.
(...) Everyone got upset. They had a meeting. Mom started crying. I don't draw like that any more.
Malcolm Crowe - How do you draw now?
Cole - Draw... people smiling, dogs running, rainbows. They don't have meetings about rainbows.

from sixth sense. bruce willis é malcom crowe, psicólogo infantil.

abril 06, 2007

for sure








e para o impossível
só devemos caminhar de olhos fechados
( como a fé e como o amor )







antónio botto - ()meus
img. amy alice thompson

abril 02, 2007

indie

O (festival de cinema independente) Indie 2007 já está preparado. Nele não resisto às curtas metragens. Porque temos de optar, tal como nos outros anos, é delas que encho os meus dias-Indie: são poemas, são micro-histórias, uma gargalhada, uma ferida, um duche rápido, um gesto que se lê... tudo junto em cada sessão, embalado no ambiente próximo que é este festival. Temos de ser precisos quando o tempo é curto; e essa é a única possibilidade de limpidez. Por isso sempre gostei e gosto de fragmentos nos diversos géneros artísticos ( com a exigente condição de serem começos inteiros em si, com a possibilidade simultanea de fim e de continuação ). As selecções de curtas a que tenho assistido aqui, certamente também pela qualidade da escolha e organização das sessões, são belos exemplos disso. Tudo sobre o Indie 2007 aqui.

abril 01, 2007

in+fusão





"there is nothing rare about the merging of the bodies of two strangers, even the union of souls may occasionally take place, what is a thousand times more rare is the union of the body with its own soul in shared passion . . ."
Milan Kundera, The Joke + Helena Almeida, Corte Secreto

março 30, 2007

março 26, 2007


"Não sei como desenhar o menino. Sei que é impossível desenhá-lo a carvão, pois até o bico de pena mancha o papel para além da finíssima linha de extrema atualidade em que ele vive. Um dia o domesticaremos em humano, e poderemos desenhá-lo. Pois assim fizemos conosco e com Deus."
clarisse lispector, "menino a bico de pena"
il. danuta wojciechowska

março 23, 2007

o rapaz que sabia acordar a primavera

















- Sonha com flores, sim? - disse-lhe eu ao telefone.
- Vou sonhar com uma flor no teu cabelo - disse ele.
É um rapaz, sim. Chama-se João, vai fazer 5 anos e já sabe acordar a Primavera.

il. do lindíssimo novo livro de Luísa Dacosta e Cristina Valadas.

março 21, 2007

oficialmente inaugurada !

















...e nos pés, em vez de raizes, flores !