



No CAM, um livro de poemas e um tapete jardim* combinaram tudo:
nascerá amanhã, dia 21, a Primavera.
(*pin/lantado pelo André Carvalho)





"Numa excursão de ônibus escolar, ele estava com muita sede. Quando houve uma parada perto de um chafariz, ele foi o primeiro a chegar para beber. Colou a boca no orifício de onde jorrava a água. Depois que se saciou, abriu os olhos e viu que o orifício era a boca de uma estátua de mulher nua. Afastou-se, ficou olhando para a estátua. Fora seu primeiro beijo. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva. [...] Ele se tornara um homem.” 

Em Lisboa, 2 dias no início de Março, um bailado+uma ópera+uma história agida por 30 homens-e-mulheres-deuses. Feita de corpo ( mãos, pernas, braços, abraços, voz, cabelos ) e da água aonde se volta para nascer outra vez. feita de ar, sempre, e de céu onde o peso de dois é o equílibrio e o voo. feita do fundo e de raizes que mandam nas tempestades e fazem as vontades. feita do fogo que se acende, mas que é só luz para que a vida possa continuar depois... depois.








Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Entrar é o bilhete bastante para uma viagem imediata a vários lugares. São objectos de design português que ocuparam as prateleiras das mercearias - ainda havia muito poucas lojas dignas do grandioso nome supermercado - e daquelas papelarias que continham uma espécie de "tudo o resto" não alimentar. Enfeitaram os armários e o quotidiano das nossas casas e dos nossos dias. Não demos muito por eles enquanto existiam, nem percebemos a sua ausência depois. O reencontro que aqui se prepara tem assegurado um sorriso, ou vários... um por cada objecto reconhecido.
"Não faço planos para a vida para não atrapalhar os planos que a vida tem para mim.""Com a manhã chega o anónimo respirar do mundo. Um cheiro a pão fresco invade o pátio todo. Vem dos lados do rio..."
Eugénio de Andrade
Na palavra começo há um mundo cheio, o oposto de na palavra princípio que tem a cor branca. Alguns querem sinónimos estes dois termos e prendem-nos em prefixos tautológicos para que não se soltem... mas só o segundo obedece: se reinício é repetição, regresso ao primeiro ponto da linha recta já traçada, dentro dos começos existe o ar e a irrequieta possibilidade que faz lavados os recomeços. Só neles, a expressão "outra vez" cumpre o seu sentido: é realmente uma vez outra. bom 2007!
img. graetz verlag (trabalhada)