outubro 26, 2006

Figures Futur





























Para quem gosta de livros e de ilustração. Aqui, mas sobretudo lá,
muito próximo de Paris, em Novembro.

outubro 19, 2006

céu


constelação
foto r.s.

outubro 17, 2006

yesterday, my mug


as always, lugar, rasto feliz de mim por dentro, quente.
foto r.s.

outubro 13, 2006

cosmogonia















img. Zylona
Porque é de certeza assim que o universo acontece e as estrelas começam...
assim, do encontro fundo e redondo azul vibrante e vermelho mulher,
não resisti, querido pedro, e roubei-te este lugar para nascer aqui.

Ps. o meu gosto imenso por melancia e o motivo desta foto é puramente acidental :)
( e a ti Pedro, obrigada - porque sim! )

outubro 11, 2006

no somos ángeles

NO os obstinéis en buscar la redondez de aire en nuestros ojos,
Ia sonriente claridad de Ia música
en nuestra voz,
Ia perfección de un cuerpo
donde Ia encrucijada de Ias sangres
armónicamente se desliza.
No somos ángeles,
no criaturas aéreas, infinitas, talladas
en el tronco de Ias nubes;
no sino tierra
que desesperadamente busca un trocito de inmortalidad,
pequenos seres desnudos
que con sus unas tratan de apresar una tarde o una sonrisa,
que se arrastran penosamente y suplican y besan y se
-odian-.
Estamos hechos de sombra,
no de cristal o luna o de hierba o de estrellas.
Nosotros,
que penosamente nos arrastramos,
que no sabemos por quì los montes son azules
ni cómo se suceden los colores de Ia tierra;
nosotros que matamos con la inocente crueldad de los niños,
que caminamos tropezando,
que nos partimos el corazón como si fuese una breve
-cáscara-,
una piedrecilla que cualquier ráfaga derriba;
nosotros que tratamos de abarcar el océano
en una torpe palabra,
que nos obstinamos ciegamente en anudar el mundo que
-ignoramos-;
nosotros que morimos,
que no somos hermosos ni sabios,
ni tenemos alas como Ias altas águilas.
No somos ángeles, no,

sino trozos de noche,
de noche ciega y desterrada y rota,
que cae y se incorpora y prosigue de nuevo.
No somos ángeles
sino apenas su sombra o su reverso,
caminando sólo una vida
– vida pequeña y frágil como junco que se quiebra-
tratando desesperadamente
de trepar a Ia luz,
buscando siempre, permanentemente buscando,
casi rozando con los dedos o los labios
Ia serena quietud del cielo que nos niegan.


Rosário Neira
img. Chromasia

guardo-o num papel fotocopiado há dez anos desde que o Diego mo ofereceu em Cárceres ...
não sei como se fez tão verdade para poder dizer assim o que diz.

outubro 09, 2006

open in another window

higher,
above,
closer to the blue,
to the silence,
horizontal.
the same moon...
full
fool?

tonight, in London.

outubro 04, 2006

mapas


Nunca aprendi a leitura das mãos,
mas, se as contemplo, acerto,
sempre, pela fantasia.

Bartolomeu Campos de Queirós
img. carll cneut

setembro 30, 2006

desejos para o tempo que começa...

É o livro da Iela Mari de que mais gosto...
(Re)comprei há pouco um exemplar novo.

O outro, antigo no carrossel das estações, está nu de folhas como a árvore do inverno. Deixei que isso fosse acontecendo, organicamente: o ler correspondendo ao folhear, correspondendo ao desfolhar, correspondendo ao cumprir-se história que é verdade fora dali.
Gosto e acredito nos ciclos. Preciso deles para me confirmar pessoa, gente, ser.
A sequência de fotos voou de um outro blog, como as folhas do meu livro antigo. Chegaram-me como um começo.
Obrigada a quem a libertou.





setembro 25, 2006

bruxelas

A Maria nunca tinha ouvido a palavra bruxelas...
apareceu-lhe no prato, ao mesmo tempo que as couves pequeninas que eu lhe juntava ao arroz...

Experimentemos... um segundo novo para escutar bruxelas como se percebessemos pela primeira vez este som, ainda por cima, associado a alimentos estranha e subitamente minúsculos....
Pois é, coisas de bruxas, só pode ser!
Mesmo depois da explicação de ser um nome de cidade, ela insitiu:
- Claro, a cidade onde moram as bruxas e os bruxos que fazem bruxarias!
E acrescentou: - é de lá que voam nas suas vassouras e é para lá que voltam.
Será?
img. gratzv verlag

setembro 22, 2006

palavras que são água para entrar





Era uma vez uma mulher
casada com um rio.
Aquilo de que ela mais gostava
era de sair cedo de casa
e ir banhar-se no seu marido....


( Assim alguém começou...
mais 2 dias e 2 noites a ouvir histórias!)


foto minha ( o cartaz lindíssimo em Praga ajudou:)

setembro 21, 2006

um leopardo que estremece em escuros bosques

A palavra é uma estátua submersa,
um leopardo que estremece em escuros bosques,
uma anémona sobre uma cabeleira.
Por vezes é uma estrela
que projecta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,cega e nua,
mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os subtis tornozelos, os cabelos ardentes
se vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
que canta num mar musical o sangue das vogais.

António Ramos Rosa

( é por isso que aqui volto todos os anos. )

setembro 18, 2006

just put your lips together...



"Slim - You know you don't have to act with me, Steve.
You don't have to say anything, and you don't have to
do anything. Not a thing. Oh, maybe just whistle.
You know how to whistle, don't you, Steve?
You just put your lips together and... blow."

One of my always movie,
"To have and have not",
for the lines...
for the two of them!

setembro 15, 2006

feliz!



img. de Eva armisén

setembro 08, 2006

abre para cá


foto minha, título de Jacinto Lucas pires

setembro 06, 2006

gosto tanto quando tens 5 anos... !


... e isto porque te contava os cozinhados que fazia,
mostrando-te nas fotografias dos livros de culinária desse tempo os salpicos felizes
nas receitas mais repetidas...


As letras eram as iniciais dos nossos nomes. Marcam as selecções de cada uma:
A "Salada Sofia" era um must: foi votada por nós as três
- era eu que fazia os Jotas da mãe porque a Caia ainda fazia o C em espelho :) -
e as muitas manchas e respingos indicam que foi muitíssimo aprovada!

( gosto que me conheças com 5 anos )

1ª il. sarah fanelli

setembro 05, 2006

o caminho redondo da lua ...


...para a Susana e para o Jorge,
que começaram hoje a ficar grávidos.

setembro 01, 2006

K especial



Já passaram 100 anos. Não sei quando terá o sr Kellogg chegado a Portugal, mas ainda me lembro da maior felicidade que nos esperava de cada vez que íamos a Londres, eu e a Caia: "cornosflakes" ao pequeno almoço, no bed and breakfast da Esmeralda em Earls Court. Isto quer dizer que se por cá existiam quando tínhamos 5-6 anos, pelo menos não eram assim uma coisa muito habitual. O crunch bom e amarelo torrado a estalar na boca de manhã permitia-nos legitimamente desafiar as regras da boa educação e pôr os vizinhos de mesa a olhar para nós com um sorriso que durava um segundo antes da voz e o olhar severo do pai o/nos interromper bruscamente. Até os "cornosflakes" obedeciam, pois amoleciam logo em seguida, afundados no banho do leite quente açucardo, uma papa que durava longos minutos a ser comida, o tempo do nosso consolo. Adorávamos as viagens a Londres. Anos mais tarde aqui, aprendemos a usá-los com leite frio para que o barulho estaladiço durasse mais tempo, mas não era a mesma coisa.

agosto 29, 2006

pano branco e borboletas


vestindo-me vestida de mim
il. de Sandra Abafa

agosto 26, 2006

unexpected...




... aerial gardens

( when is not just water, not just earth: life begins together )
foto R.S.

agosto 24, 2006

agosto 16, 2006

tudo, tanto !


as flores todas a nascer por dentro...
il. Amy Ruppel

agosto 10, 2006


António do outro lado do Mundo
(texto de Malachy Doyle e il. de Carll Cneut.
Edições Kual)

... porque às vezes é o colo da mãe (ou do pai)
que falta, apesar de tudo o resto.

Uma história de crescer,
sobre ser ( ou não ser ) grande e pequeno,
às vezes ao mesmo tempo, às vezes sem saber.
Para pequenos. Para grandes.
Para os Antónios que conheço, grandes de mundo...

agosto 01, 2006

dança-dora ;)







Como todos os anos,
vou ali ser pássaro...



(e depois volto).

foto minha - andanças 2005

julho 29, 2006

wish


img. keri smith

julho 26, 2006

doçuras


Faz hoje 37 anos. Assobia sempre enquanto os braços pintam as paredes da casa. Apesar do corpo imponente salpicado de tinta, não se daria por ele se não fosse isso de pássaro feliz. O silêncio é-lhe maior - a cara séria, as palavras baixas e a custo, enroladas numa fechada pronúncia transmontana que não gosta nada dos 4 anos em Lisboa.
Faz hoje 37 anos. Traz o almoço de casa num termo de alumínio que aquece no fogão ao meio dia e trinta. Traz os pratos e os talheres. Traz uma garrafa de vidro onde todos os dias de manhã despeja o meio litro de vinho tinto. Almoça em silêncio e guarda tudo depois na mochila de pano impermeável azul. Deixa-a sempre em cima da mesa da cozinha, encostada à janela.
Pinta as paredes da casa e assobia profundamente ( como ele: presente, invisível ).
Pára várias vezes para fumar à janela calado, bebe cervejas geladas e solta as caricas das garrafas sem precisar de nada. Tem uma força descomunal. Tem uns olhos tristes e doces, parecidos com a forma lenta e perfeita com que dobra os panos coloridos que traz para proteger o chão.
Chama-se sr. Zé. Faz hoje 37 anos. Perguntei-lhe pelo bolo. Disse-me que não gosta de doçuras.

julho 25, 2006

brincar a ser


( ser a brincar... ser )

julho 23, 2006

silêncio

Não dizia palavras,
Aproximava apenas um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.

Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as núvens.

Um contacto ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais em desejo.
Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.

Luís Cernuda

julho 20, 2006

esgotado


"Cara cliente: o artigo que encomendou,
Uma paixão simples, encontra-se esgotado.
Como tal,
procedemos ao cancelamento
da
sua encomenda."
( Eu já desconfiava... )
img. de Frederique Bertrand

julho 18, 2006

magia !




Fazedores de Nuvens,
a semana passada no CAM.

julho 16, 2006

era uma vez um mundo de papel

Bernard Jeunet,
absolutamente
a não perder
até 31 de julho,
aqui.


julho 14, 2006

like this...


a nossa necessidade de consolo é impossivel de satisfazer
Stig Dagerman
img. de Morell

julho 12, 2006

dizer


Às vezes, as palavras impedem-nos de de dizer o que queremos.

img.( trabalhada ) Selda Soganci

julho 10, 2006


ouvi-a muitas vezes... e tenho a
certeza que em todas fiquei sempre
mais aflita do que eles na floresta e na casa
da bruxa, apesar dos doces ...
( é que éramos sempre nós, eu e tu, Caia. )
O meu medo irresístivel, o meu desafio: Hansel e Gretel.

julho 08, 2006

julho 07, 2006

tudo



Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdad nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquísimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.


amalia bautista

julho 05, 2006

"mi isla "


definições:
Ser ilha para: eu, tu; tu, eu ...
Ser ilha com: partilha ( par-ilha ): nós.

(desde sempre, é a "minha" serigrafia da Eva Armisén. )