setembro 06, 2006

gosto tanto quando tens 5 anos... !


... e isto porque te contava os cozinhados que fazia,
mostrando-te nas fotografias dos livros de culinária desse tempo os salpicos felizes
nas receitas mais repetidas...


As letras eram as iniciais dos nossos nomes. Marcam as selecções de cada uma:
A "Salada Sofia" era um must: foi votada por nós as três
- era eu que fazia os Jotas da mãe porque a Caia ainda fazia o C em espelho :) -
e as muitas manchas e respingos indicam que foi muitíssimo aprovada!

( gosto que me conheças com 5 anos )

1ª il. sarah fanelli

setembro 05, 2006

o caminho redondo da lua ...


...para a Susana e para o Jorge,
que começaram hoje a ficar grávidos.

setembro 01, 2006

K especial



Já passaram 100 anos. Não sei quando terá o sr Kellogg chegado a Portugal, mas ainda me lembro da maior felicidade que nos esperava de cada vez que íamos a Londres, eu e a Caia: "cornosflakes" ao pequeno almoço, no bed and breakfast da Esmeralda em Earls Court. Isto quer dizer que se por cá existiam quando tínhamos 5-6 anos, pelo menos não eram assim uma coisa muito habitual. O crunch bom e amarelo torrado a estalar na boca de manhã permitia-nos legitimamente desafiar as regras da boa educação e pôr os vizinhos de mesa a olhar para nós com um sorriso que durava um segundo antes da voz e o olhar severo do pai o/nos interromper bruscamente. Até os "cornosflakes" obedeciam, pois amoleciam logo em seguida, afundados no banho do leite quente açucardo, uma papa que durava longos minutos a ser comida, o tempo do nosso consolo. Adorávamos as viagens a Londres. Anos mais tarde aqui, aprendemos a usá-los com leite frio para que o barulho estaladiço durasse mais tempo, mas não era a mesma coisa.

agosto 29, 2006

pano branco e borboletas


vestindo-me vestida de mim
il. de Sandra Abafa

agosto 26, 2006

unexpected...




... aerial gardens

( when is not just water, not just earth: life begins together )
foto R.S.

agosto 24, 2006

agosto 16, 2006

tudo, tanto !


as flores todas a nascer por dentro...
il. Amy Ruppel

agosto 10, 2006


António do outro lado do Mundo
(texto de Malachy Doyle e il. de Carll Cneut.
Edições Kual)

... porque às vezes é o colo da mãe (ou do pai)
que falta, apesar de tudo o resto.

Uma história de crescer,
sobre ser ( ou não ser ) grande e pequeno,
às vezes ao mesmo tempo, às vezes sem saber.
Para pequenos. Para grandes.
Para os Antónios que conheço, grandes de mundo...

agosto 01, 2006

dança-dora ;)







Como todos os anos,
vou ali ser pássaro...



(e depois volto).

foto minha - andanças 2005

julho 29, 2006

wish


img. keri smith

julho 26, 2006

doçuras


Faz hoje 37 anos. Assobia sempre enquanto os braços pintam as paredes da casa. Apesar do corpo imponente salpicado de tinta, não se daria por ele se não fosse isso de pássaro feliz. O silêncio é-lhe maior - a cara séria, as palavras baixas e a custo, enroladas numa fechada pronúncia transmontana que não gosta nada dos 4 anos em Lisboa.
Faz hoje 37 anos. Traz o almoço de casa num termo de alumínio que aquece no fogão ao meio dia e trinta. Traz os pratos e os talheres. Traz uma garrafa de vidro onde todos os dias de manhã despeja o meio litro de vinho tinto. Almoça em silêncio e guarda tudo depois na mochila de pano impermeável azul. Deixa-a sempre em cima da mesa da cozinha, encostada à janela.
Pinta as paredes da casa e assobia profundamente ( como ele: presente, invisível ).
Pára várias vezes para fumar à janela calado, bebe cervejas geladas e solta as caricas das garrafas sem precisar de nada. Tem uma força descomunal. Tem uns olhos tristes e doces, parecidos com a forma lenta e perfeita com que dobra os panos coloridos que traz para proteger o chão.
Chama-se sr. Zé. Faz hoje 37 anos. Perguntei-lhe pelo bolo. Disse-me que não gosta de doçuras.

julho 25, 2006

brincar a ser


( ser a brincar... ser )

julho 23, 2006

silêncio

Não dizia palavras,
Aproximava apenas um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.

Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as núvens.

Um contacto ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais em desejo.
Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.

Luís Cernuda

julho 20, 2006

esgotado


"Cara cliente: o artigo que encomendou,
Uma paixão simples, encontra-se esgotado.
Como tal,
procedemos ao cancelamento
da
sua encomenda."
( Eu já desconfiava... )
img. de Frederique Bertrand

julho 18, 2006

magia !




Fazedores de Nuvens,
a semana passada no CAM.

julho 16, 2006

era uma vez um mundo de papel

Bernard Jeunet,
absolutamente
a não perder
até 31 de julho,
aqui.


julho 14, 2006

like this...


a nossa necessidade de consolo é impossivel de satisfazer
Stig Dagerman
img. de Morell

julho 12, 2006

dizer


Às vezes, as palavras impedem-nos de de dizer o que queremos.

img.( trabalhada ) Selda Soganci

julho 10, 2006


ouvi-a muitas vezes... e tenho a
certeza que em todas fiquei sempre
mais aflita do que eles na floresta e na casa
da bruxa, apesar dos doces ...
( é que éramos sempre nós, eu e tu, Caia. )
O meu medo irresístivel, o meu desafio: Hansel e Gretel.

julho 08, 2006

julho 07, 2006

tudo



Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdad nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquísimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.


amalia bautista

julho 05, 2006

"mi isla "


definições:
Ser ilha para: eu, tu; tu, eu ...
Ser ilha com: partilha ( par-ilha ): nós.

(desde sempre, é a "minha" serigrafia da Eva Armisén. )

julho 02, 2006

a vida secreta do silêncio


"Someone said that from the moment you have an inner life,
you are already leading a double life."
Isabel Coixet sobre La vida secreta de las palabras, imperdível!

toque, cheiro lavado a amêndoas doces, sabor novo de devorar e silêncio...
a linguagem secreta em(tre) nós, medida pelo batimento das ondas em alto mar.

Josef ¿Me estaba mirando, Hanna?
Hanna No.
Josef Yo creo que sí… Veo que empieza a mentirme.
Eso quiere decir que empiezo a gustarle…
-----------------------------------------------
Josef No. You have a blondes' voice... it's like butter and cinnamon.

julho 01, 2006

final-começo...


Aladino, editorial Molino 1963

junho 29, 2006

junho 28, 2006

furaquim


Nem berbequim, nem Black & Decker: furaquim!
Assim designam esta ferramenta os vizinhos da minha amiga
Fátima, num pequeno monte alentejano, perto de Mértola.

junho 25, 2006

curso de silêncio


Curso de silêncio...
( curso em/sobre silêncio? percurso que corre em silêncio?)

Consta que é um diálogo entre dois amantes: Amigo e Amiga - curso de silêncio 2004,
assim é o título do último livro de Mª Gabriela Llansol.
Acabo de o conhecer. Ainda apenas através da notícia no jornal de ontem, mas a pré-leitura - aquela que é da ordem do instinto por lembrança e por expectativa que me acontece com os "meus escritores" - foi imediata. Quero agora preencher com a carne das palavras deste novo livro, o que lhe adivinho no esquiço que fiz pelo reconhecimento da fala desta escritora: os fragmentos, as palavras inteiras, os fios tecidos sem dizer, a clara hibridez, a sensualidade da alma com a terra depois: corpo.
A escrita de G. Llansol é única e alimenta-me.

img. de Hope Wallace (trabalhada)

junho 24, 2006

coisas boas no verão
















Amanhã, depois do grandioso picnic-brunch com nós do CAM :) ,
passo por lá.

junho 22, 2006

diário interior


É assim este silêncio onde sempre me (re)vi
Daniel Blaufuks.

junho 21, 2006

( materia di stelle )


Bisogna avere il caos dentro di se per partorire una stella danzante...
( Nietzsche ).
il de Brad Holland

junho 19, 2006

de que cor é o desejo?


( estas cores são para a Lígia )
titulo de um livro de João P. Mésseder; img. realimaginário

junho 16, 2006

LOVE (by M.I.L.K.)

















O love arrumado na caixa dos livros de fotografia
( ao lado do xarope para a tosse do ano passado descoberto por ali à última hora
sem lugar, e dos pincéis em banho-maria até segunda-feira ).

M.I.L.K. - Moments. Intimacy. Laughter. Kinship.

podcasting


What the heck is a podcast?
A very clear tutorial.

junho 14, 2006

june storm ( last night )



Primeiro nua, branca e feliz, a luz muitas vezes - em roda de saia inteira, cúpula
( nós dentro dela ).
Depois, o som do fundo grave do céu, enérgico ( ele dentro dela)
... um estremecimento imenso do mundo todo ( e nós dentro dele e ele dentro de nós)
e o fogo risca o céu em flechas e assinala é aqui!
E depois chove.


img. s/a.

junho 11, 2006

amor à primeira vista

























Encontrámo-nos logo assim que cheguei, na Mollat, a maior livraria de Bordéus, o meu primeiro destino depois do hotel. Foi uma paixão fulminante e intensa à primeira vista enquanto o devorava com os olhos e percorria o seu corpo com os meus dedos... Mas o juízo apareceu de repente, cortando o calor, ao som do altifalante que avisava "Il sont huit heures, la librairie va fermer"... Pois, era preciso não ceder assim, logo, ao primeiro que aparece e que parece ser o tal!
Sai a pensar nele e, no resto dos dias procurei-o em todos os outros lugares onde seria provável encontrá-lo... Não... não... não - sonhei? Efeito jet leg que não existe entre Lisboa e Bordéus? Efeito da exposição à proximidade das nuvens e do céu nas alturas há menos de 24 horas? ( Sim esse podia ser!). Descobri outros de que gostei - alguns muito -... mas aquele, ai!!! E se já não volto a encontrá-lo? E se mesmo na Mollat... ai!!! Devia conhecer-me melhor e saber que sim, à primeira vista quando o meu coração bate é mesmo verdade e não querer saber de grilos conscientes de gestão de orçamento disfarçados de altifalante!
Ontem, assim que me libertei dos compromissos profissionais, voei - acho que mais rápido do que no avião. Ele estava lá pacientemente à minha espera*!
Voltámos hoje juntos. Eu felicíssima. Confirmo o bater de coração que continua igual ao primeiro segundo de olhar e saber que era ele. É o livro desta viagem... é um livro muito muito especial!
Pequeno ps. a confessar: na fria badalada das huit heures do primeiro dia tinha pedido que mo guardassem... just in case someone looked at him at the same heart beat rythm than I... porque já sabia que sentir que sim é sim absoluto. Na próxima vez avanço mais este passo: aceito o shortcut sem pensar e vivo desde logo com ele.

junho 07, 2006

se o la double vie de veronique nascesse flor...


... seria assim.
Porque há um lugar que transforma os códigos html dos sites em ramos floridos (Via page) .

junho 06, 2006

bobibook.blogspot.com



São os tamanhos desconcertantemente à nossa medida, as cores quentes ou fortes, as matérias vivas, várias, os planos, a poesia nua... tudo assinado por bobi ( a - very good - painter and illustrator ). Gosto muito de lá passar.

junho 04, 2006

patchwork


Não gosto de amarras ( puverizo, evaporo, morro, escapo ... )
Vivo nos encaixes, no começo do limite, na água e na ilha
e no um desse plural.
Sou..., na dança a dois for a tango... for, absolutely,
it takes a tango for two.
img. valerie j. cochran

Insignia


Um diário ibero-americano exclusivamente digital, produzido desde
Março de 2000 por um pequeno grupo de jornalistas, tradutores e
escritores. Sediado em Madrid, é um projecto de que vale a pena
tomar nota. Está aqui.

junho 02, 2006

fiction


Espaço... espaço entre... ( = a vazio ? )
Encher, preencher(-se), inventar, ligar...
Palavras seguidas como carreirinhos de formigas
- ou caminhos mais largos, mais compridos - pontes,

rios, fios, fogos de artifício, riscos altos, longos, finos, esticados: MAPAS!
Um eu em direcção a um tu.

Encher, prencher, inventar, ligar-SE: "there is fiction in the space between"*

*tracy chapman

junho 01, 2006

Humm.... blueberries!


adoro trincá-los sumarentos e encher-me de azul!