março 15, 2008

' wallflowers '



"The definition of a “wallflower” in the Oxford Dictionary, is “a girl who has no one to dance with at a party.” In her series, “Wallflower,” Amy Elkins examines the sexist limits of this perception. By placing men in front of floral wallpaper, their torsos generally shirtless and cropped near the waist, she has successfully created a collection of portraits of male “wallflowers.” It is because these men are undressed and in an intimate environment that the viewer immediately confronts the stereotypes of sexual orientation." (read more)















"Amy Elkins was born in 1979 in Los Angeles, CA. She received a BFA in Photography from the School of Visual Arts in May of 2007.
Her work has been published in PDN, American Photo, EyeMazing, Dear Dave the Visual Arts Journal and New York Times Magazine."
Her site and blog show more of her extraordinary work.

março 14, 2008

muitas coisas

Não é uma coisa só,
São muitas coisas nuas.

Não é o desabar de uma casa.
É percorrer os seus escombros.

Não é aguardar por um filho.
É voltar a sê-lo.

Não é penetrar em ti.
É sair de mim.

Não é pedir-te que faças.
É fazer-te.

Não é dormir lado a lado.
É estar jacente de mãos dadas.

Não é ouvir vento e chuva.
É franquear-lhes a cama.
E relâmpago que pela terra se funde.

António Osório

img. sugimoto

março 11, 2008

tocar



















Ele disse-me que tocava violoncelo. Depois perguntou-me: - E tu?

- Eu... toco corações.
img. regis lejonc

março 10, 2008

prémio nacional de ilustração 2007


" Com o objectivo de promover a leitura entre os mais novos, o Ministério da Cultura, através da DGLB, e em colaboração com a Associação Portuguesa para a Promoção da Literatura Infantil e Juvenil, atribui o Prémio Nacional de Ilustração, que pretende incentivar o trabalho de artistas no domínio da ilustração de livros para crianças em Portugal.

O prémio, atribuído anualmente desde 1996, distingue um ilustrador pelo conjunto de trabalhos originais publicados numa obra para crianças e jovens, editada entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro do ano anterior ao concurso. Podem concorrer as editoras (ou equivalente) com sede em Portugal continental, ilustradores portugueses ou estrangeiros com residência em Portugal. O valor do prémio é de cinco mil euros, acrescido de 1500 euros destinados a apoiar a deslocação à Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, Itália.
As menções especiais são também premiadas com 1500 euros destinados a comparticipar a presença dos ilustradores na Feira de Bolonha."
Candidaturas entre 18 de Fevereiro e 18 de Março.
regulamento
il. do folheto teresa lima, prémio 2006

março 06, 2008

laughing in a foreign language










( great title concept, but maybe better illustrated by Rodchenko na dta )

Laughing in a Foreign Language "explores the role of laughter and humour in contemporary art. In a time of increasing globalisation, this international exhibition questions if humour can only be appreciated by people with similar cultural, political or historical backgrounds and memories, or whether laughter can act as a catalyst for understanding the unfamiliar. Laughing in a Foreign Language investigates the whole spectrum of humour, from jokes, gags and slapstick to irony and satire. The exhibition brings together more than 70 videos, photographs and interactive installation works by 30 artists from all around the world."
+
Alexander Rodchenko: Revolution in Photography.
Ambas na Hayward - Southbank, Londres.

março 05, 2008

março 04, 2008

hibernation ...











a terra fora do sítio ( para maria gabriela llansol )
my fotos

fevereiro 29, 2008

para o indizível




(...) quando não há um nome para dizer as coisas, então usam-se as histórias. Funciona assim. Há séculos.
Alessandro Baricco

img. internationale jungendbibliothek

fevereiro 24, 2008

noisy soundtrack

banda sonora: cofcofcof grave, aaaatchimms agudos.
volume: alto.
ambiente: quente, febril.

fevereiro 21, 2008

maria joão worm

"o passado, se aparecesse nos classificados, seria um apartamento que não se aluga nem se pode vender"
Sou suspeita. Sempre me revi no silêncio cheio onde o seu trabalho me faz mergulhar. Sempre, tanto!
Desdobro cuidadosamente este livro de guardas aos corações pequeninos e transforma-se em larga folha única, como se de um jornal se tratasse. São classificados que anunciam electrodomésticos. São anúncios que inventam começos e fins de histórias, onde nos misturamos porque revemos animicamente os que foram nossos algum dia, tão mais vivos que os que hoje habitam nas nossas casas.
Mas antes de abrir vezes sem conta este catálogo de máquinas humanizadas com sentimentos pouco domesticados, estive mais perto delas. Até 6 de março, é imperdível a tripla exposição da Maria João :
electrodomésticos classificados + animais domésticos + animais nas lojas.
Queremos, urgente, as outras duas em livro de guardar! É um privilégio conhecer assim a intimidade do mundo.

galeria Monumental
campo mártires da pátria, 101
3ª a sábado 15h - 19.30h

fevereiro 19, 2008

fevereiro 18, 2008

après l'orage...












( le monde est à l'inverse ).
img. mahmoodi-golnaz

fevereiro 16, 2008

Porque voltou a ser como um carrossel, daqueles com cavalos longos que sobem e descem em mastros decorados como bolos maravilhosos cobertos de icing sugar, que depois se soltam e largam a correr selvagens pelo mundo fora - que é dentro de nós -, antes de regressarem perfeitos, é preciso aqui deixar rasto... esta é a viagem que fazemos à volta das palavras na voz da Cristina, no encadeamento que descobre nos poemas que lhe saem do corpo, dos olhos muito vivos nesse corpo, que se prolonga em absoluta perfeição na música que o Fernando faz acontecer como espaço e tempo. Outra vez assim, ontem, atravessando os estados vários disto a que, por falta de outros meios mais exactos, vamos chamando amor. Luminosamente, "Às escuras o amor", com o rigor de todos outros espectáculos de poesia dita da Andante, é um encontro imperdível, pois o amor não se diz, sente-se, generosamente. É isso que ali acontece.

fevereiro 13, 2008

o livro do Pedro



Chama-se Maria. É a personagem principal do novo livro de Manuela Bacelar, um livro cheio de afectos e muito luminoso. Nasce para o mundo amanhã na Fnac do Chiado, às 18.30h. Felizmente estarei .

fevereiro 11, 2008

Beija-me Depressa!












Muito doces, doces de ovos, em caixa cor de rosa a condizer com o convite/ordem, embrulhado em design dos anos 50. São tradicionais em Tomar, mas podem ser comprados por estes dias de Fevereiro no Chiado.
Cada caixa, com direito a 12 urgentes beijos, custa € 12.
( Apenas não me faz grande sentido a palavra recordação, impressa a bold e num tipo bem maior, na parte lateral das caixas... só pode ter a ver com a rapidez, ou a curta duração dos beijos, uma das duas possibilidades de interpretação de "depressa". Para que não haja equivocos, "Beija-me Já s.f.f" é uma boa solução ).

A VIDA PORTUGUESA

Rua Anchieta 11
Chiado 1000-023 Lisboa
Tel. 21 3465073
Aberta de 2ª a Sábado, das 10h00 às 20h00

fevereiro 05, 2008

dança














João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
drummond de andrade

img. teatro viriato

fevereiro 02, 2008

















0 mundo todo ali.

my img.

janeiro 30, 2008

mais...



















we can never be born enough e.e.cummings
img. parkeharrison

janeiro 26, 2008

janeiro 25, 2008

bird girl (i'm)

first paint a cage
with an open door

then paint
something pretty
something simple
something beatiful
something useful
for the bird
then place the canvas against a tree
in a garden
in a wood
or in a forest
hide behind the tree
without speaking
without moving...
Sometimes the bird comes quickly
but it can also take years
before deciding
Don't be discouraged
wait
wait for years if necessary
the swiftness or slowness of the coming
of the bird having no bearing
on the success of the painting
When the bird comes
if it comes
observe the most profound silence
wait till the bird enters the cage
and when it has entered
gently close the door with a brush
then
rub out all the bars one by one
taking care not to touch any of the bird's feathers
Then paint the portrait of the tree
choosing the most beatiful of its branches
for the bird
paint also the green foliage and the wind's freshness
the dust of the sun
and the noise of insects in the summer heat
and then wait for the bird to decide to sing
If the bird doesn't sing
it's a bad sign
a sign that the painting is bad
but if it sings it is a good sign
a sign that you can sign
so then very gently pull out
one of the feathers of the bird
and write your name in a corner of the painting.

jacques prevert,
"how to paint the portrait of a bird"

janeiro 19, 2008

switching on and off















power failure. light bulbs are not made to play .
img. katrine k.

janeiro 16, 2008

slowlyfullmooning

















round pink... mint moons... white giant cloud...............
imense.... plof sound... laugh... again!
being a part-timer at the moon factory: an addictive pleasure.
img. pep montserrat

janeiro 13, 2008

surpresa ! ! !

... e se de repente algumas das palavras que ouvimos num dos programas de rádio de que mais gostamos tivessem sido escritas por nós... ? Também por nós, porque o olhar do Pedro, o dele em particular, reescreve enquanto lê.
Assim foi. Perdi-o no dia 6 de Janeiro. Mas como é um programa imperdível ( o dentro de quem faz blogs estabelece pontes directas com quem os tem ), recupero os que não ouço no dia, através do site da Antena1. Fi-lo ontem. O formato era diferente - e eu gosto quando o Pedro Rolo Duarte é centro e escolhe a partir daí, com uma lógica autoral mais evidente de que tenho sempre saudades. Já disso dei conta no ano passado, aqui. Agora liam-se textos de posts em blogs do ano de 2007, alternados com música. De repente, la double vie de veronique estava . Feliz, muito surpresa, eu ! ! ! Gosto tanto de fios.

( pergunta minha, já antiga: porque não tem podcast este programa? )
img. betsi walton

janeiro 11, 2008

somewhere else



"it is not down
in any map;
true places never are"
h. melville 
img. isabelle vandenabeele

janeiro 08, 2008

antropologia

Como não queria que a intensidade do meu amor afugentassse a Cotovia, fingi indiferença. Comecei a temer que a táctica não estivesse a dar resultado; parecia aborrecida na minha companhia, não parava de olhar para o relógio, como se estivesse imapaciente por ir para outro sítio muito melhor. Mesmo assim, combinávamos sempre distraídamente novo encontro. Quando, enfeitiçado, sugeri, como quem não quer a coisa, que nos casássemos, encolheu os ombros e, bocejando, disse: - Já agora. Não podia acreditar na minha sorte. O homem perguntou-nos se estávamos preparados para nos amaramos e ampararmos mutuamente para sempre. Cotovia respondeu-lhe "porque não?" e eu disse-lhe que "achava que sim".
Dan Rhodes,
A namorada portuguesa e outras 100 histórias.

Gosto especialmente do tempo que as vírgulas fazem aqui, coreografando em namoro o momento da sugestão. Gosto do que vejo como dança no corpo dos personagens, a partir do ritmo dentro-sinto/fora-ajo "como quem não quer a coisa".
Depois, o resto das histórias, as outras 100. Cada uma com 101 palavras, 1 palavra como título, organizadas alfabeticamente a partir dele ( na versão inglesa ). Sim, era demasiado proposta a la "creative writing workshop", que me irritou assim à primeira; mas no caso - porque as li todas, esqueci-me logo disso. É certo que gosto especialmente de formas breves na escrita, pela exigência. Mas há aqui alguma coisa daquilo que andamos a falar acerca do que pode ser a literatura, e não só numa ou duas histórias; o fôlego mantém-se e com ele o sorriso de nos irmos reconhecendo
cubisticamentede, de namorada para namorada, nisto do que é querer ser um "a dois" . Só não percebo a opção localista do título... demasiado linear pegar noutro título de um dos contos só porque "o nacional" está lá. Sobretudo quando estamos a editar uma proposta desta natureza que usa milimetricamente cada palavra. Perde-se o que diz (sobre tudo que se fala), precisamente, numa palavra. Antropologia era também a que inaugurava o indíce. Tão custosa deve ter sido encontrar a fórmula; vem a namorada portuguesa e estraga tudo. mais 4.

janeiro 05, 2008

je te............

je te lune
tu me nuage

tu me marée haute

je te transparente

tu me pénombre

tu me translucide

t
u me château vide
et me labyrinthe

tu me paralaxe

et me parabole ...

my foto; excerto de poema no espectáculo:
L'echo de mon corps répété dans le batement d'une aile murmurante

janeiro 03, 2008

o jogo da liberdade da alma

Se o toque não for decidido,
e o medo nos invadir,
não terei palavras para lho dizer.

Como dizer que uma lâmpada se funde inesperadamente
que um prato cai sem darmos por isso, quando isso é a própria queda,
que uma voz desaparece repentinamente de nos falar
que um afecto é, de facto, tudo (mas não de tudo quanto o prende)
que teria gostado de escrever romances
se o tempo não existisse
que se o toque fosse indiferente apenas existiriam atributos
ou, se preferes, enquanto acaricias esse espaldar só haveria vestidos,
e o corpo onde o deixarias
sem ter, sequer, a noção de afecto a quem o dar,
não olhes para mim com esse olhar.
Sem uma memória decidida,
as coisas desconhecidas flutuam.
Sim, imagino.
Disse-lhe, soletrando todas as letras,
o cheiro fasto que se desprende do espaldar é de um homem,
odor denso, de um homem incómodo, embaraçoso, opaco.
"Quem gostarias de ver a teu lado?"

maria gabriela llansol

janeiro 01, 2008

Après Noel...


















tout est un peu étrange...
beatrice alemagna, après noel.

dezembro 31, 2007






















tira la piedra de hoy,
olvida y duerme. Si es luz,
mañana la encontrarás
ante la aurora hecha sol.

Juan Ramón Jiménez

img. a partir de sara fanelli

dezembro 29, 2007

tu nunca foste ao fundo do mar...


tu és da terra e se fosses ao fundo do mar morrias afogado.
Mas eu sou uma menina do mar. O mar é a minha terra. Tu se vieres para o mar afogas-te. E eu se for para a terra seco. Não posso estar muito tempo fora de água. Fora de água fico como as algas na maré vaza.
- Que pena que eu tenho de não te poder mostrar a terra! – disse o rapaz.
- E eu que pena tenho de não te poder levar comigo ao fundo do mar para te mostrar as florestas de algas, as grutas de corais e os jardins de anémonas!
excertos colados de sophia, a menina do mar

img. anne herbauts

dezembro 25, 2007

full mooned

















( for i'm much more than 72.8% water )

1st on the 25th








dezembro 24, 2007

careful chemistry













texto de alan fletcher pintado por sara fanelli.
fotos de bresson e bianca brunner

dezembro 23, 2007

through my looking glass...










if I were a... and a... and a... yes, all the times, yes !
(thank you)

dezembro 21, 2007

solstício



















do latim> paragem de sol: momento em que no seu movimento aparente em relação ao eixo da terra, o sol se detém para iniciar o movimento contrário.
A aprender: os movimentos são apenas e sempre aparentes. Mesmo assim, duas vezes ao ano há-que quebrar as rotas, rumar diferente, ao contrário - diferente de ir para trás. Não servem os mapas, nem as bússolas ... a cartografia parece da ordem do instinto, dançando, como um, a dois.
Hoje começa o Inverno... mergulhar dentro bastará para guardar-me deste frio e fazer líquida a música gelada que custo a perceber?
O que diz disso a terra? Ou a lua?...
A paragem é o lugar assinalado em que se espera que o caminho que elegemos nos leve. Redondo para mim, por favor, avançando sábio com o sol.

img. mia's stories

dezembro 19, 2007

my



sun

day

light
harpa
in possible
luz - feminino

1. única radiação captada pelo olho humano

dezembro 15, 2007

wise girl















il.isabelle vandenabeele

dezembro 12, 2007

caminhar até mim é ir até onde?















porque as palavras às vezes surgem, de repente juntas, como estrada que nos diz
agora, guardo em título estas do paulo josé miranda que me encontraram aqui.

il.elena odriozola

dezembro 11, 2007