janeiro 30, 2008

mais...



















we can never be born enough e.e.cummings
img. parkeharrison

janeiro 26, 2008

janeiro 25, 2008

bird girl (i'm)

first paint a cage
with an open door

then paint
something pretty
something simple
something beatiful
something useful
for the bird
then place the canvas against a tree
in a garden
in a wood
or in a forest
hide behind the tree
without speaking
without moving...
Sometimes the bird comes quickly
but it can also take years
before deciding
Don't be discouraged
wait
wait for years if necessary
the swiftness or slowness of the coming
of the bird having no bearing
on the success of the painting
When the bird comes
if it comes
observe the most profound silence
wait till the bird enters the cage
and when it has entered
gently close the door with a brush
then
rub out all the bars one by one
taking care not to touch any of the bird's feathers
Then paint the portrait of the tree
choosing the most beatiful of its branches
for the bird
paint also the green foliage and the wind's freshness
the dust of the sun
and the noise of insects in the summer heat
and then wait for the bird to decide to sing
If the bird doesn't sing
it's a bad sign
a sign that the painting is bad
but if it sings it is a good sign
a sign that you can sign
so then very gently pull out
one of the feathers of the bird
and write your name in a corner of the painting.

jacques prevert,
"how to paint the portrait of a bird"

janeiro 19, 2008

switching on and off















power failure. light bulbs are not made to play .
img. katrine k.

janeiro 16, 2008

slowlyfullmooning

















round pink... mint moons... white giant cloud...............
imense.... plof sound... laugh... again!
being a part-timer at the moon factory: an addictive pleasure.
img. pep montserrat

janeiro 13, 2008

surpresa ! ! !

... e se de repente algumas das palavras que ouvimos num dos programas de rádio de que mais gostamos tivessem sido escritas por nós... ? Também por nós, porque o olhar do Pedro, o dele em particular, reescreve enquanto lê.
Assim foi. Perdi-o no dia 6 de Janeiro. Mas como é um programa imperdível ( o dentro de quem faz blogs estabelece pontes directas com quem os tem ), recupero os que não ouço no dia, através do site da Antena1. Fi-lo ontem. O formato era diferente - e eu gosto quando o Pedro Rolo Duarte é centro e escolhe a partir daí, com uma lógica autoral mais evidente de que tenho sempre saudades. Já disso dei conta no ano passado, aqui. Agora liam-se textos de posts em blogs do ano de 2007, alternados com música. De repente, la double vie de veronique estava . Feliz, muito surpresa, eu ! ! ! Gosto tanto de fios.

( pergunta minha, já antiga: porque não tem podcast este programa? )
img. betsi walton

janeiro 11, 2008

somewhere else



"it is not down
in any map;
true places never are"
h. melville 
img. isabelle vandenabeele

janeiro 08, 2008

antropologia

Como não queria que a intensidade do meu amor afugentassse a Cotovia, fingi indiferença. Comecei a temer que a táctica não estivesse a dar resultado; parecia aborrecida na minha companhia, não parava de olhar para o relógio, como se estivesse imapaciente por ir para outro sítio muito melhor. Mesmo assim, combinávamos sempre distraídamente novo encontro. Quando, enfeitiçado, sugeri, como quem não quer a coisa, que nos casássemos, encolheu os ombros e, bocejando, disse: - Já agora. Não podia acreditar na minha sorte. O homem perguntou-nos se estávamos preparados para nos amaramos e ampararmos mutuamente para sempre. Cotovia respondeu-lhe "porque não?" e eu disse-lhe que "achava que sim".
Dan Rhodes,
A namorada portuguesa e outras 100 histórias.

Gosto especialmente do tempo que as vírgulas fazem aqui, coreografando em namoro o momento da sugestão. Gosto do que vejo como dança no corpo dos personagens, a partir do ritmo dentro-sinto/fora-ajo "como quem não quer a coisa".
Depois, o resto das histórias, as outras 100. Cada uma com 101 palavras, 1 palavra como título, organizadas alfabeticamente a partir dele ( na versão inglesa ). Sim, era demasiado proposta a la "creative writing workshop", que me irritou assim à primeira; mas no caso - porque as li todas, esqueci-me logo disso. É certo que gosto especialmente de formas breves na escrita, pela exigência. Mas há aqui alguma coisa daquilo que andamos a falar acerca do que pode ser a literatura, e não só numa ou duas histórias; o fôlego mantém-se e com ele o sorriso de nos irmos reconhecendo
cubisticamentede, de namorada para namorada, nisto do que é querer ser um "a dois" . Só não percebo a opção localista do título... demasiado linear pegar noutro título de um dos contos só porque "o nacional" está lá. Sobretudo quando estamos a editar uma proposta desta natureza que usa milimetricamente cada palavra. Perde-se o que diz (sobre tudo que se fala), precisamente, numa palavra. Antropologia era também a que inaugurava o indíce. Tão custosa deve ter sido encontrar a fórmula; vem a namorada portuguesa e estraga tudo. mais 4.

janeiro 05, 2008

je te............

je te lune
tu me nuage

tu me marée haute

je te transparente

tu me pénombre

tu me translucide

t
u me château vide
et me labyrinthe

tu me paralaxe

et me parabole ...

my foto; excerto de poema no espectáculo:
L'echo de mon corps répété dans le batement d'une aile murmurante

janeiro 03, 2008

o jogo da liberdade da alma

Se o toque não for decidido,
e o medo nos invadir,
não terei palavras para lho dizer.

Como dizer que uma lâmpada se funde inesperadamente
que um prato cai sem darmos por isso, quando isso é a própria queda,
que uma voz desaparece repentinamente de nos falar
que um afecto é, de facto, tudo (mas não de tudo quanto o prende)
que teria gostado de escrever romances
se o tempo não existisse
que se o toque fosse indiferente apenas existiriam atributos
ou, se preferes, enquanto acaricias esse espaldar só haveria vestidos,
e o corpo onde o deixarias
sem ter, sequer, a noção de afecto a quem o dar,
não olhes para mim com esse olhar.
Sem uma memória decidida,
as coisas desconhecidas flutuam.
Sim, imagino.
Disse-lhe, soletrando todas as letras,
o cheiro fasto que se desprende do espaldar é de um homem,
odor denso, de um homem incómodo, embaraçoso, opaco.
"Quem gostarias de ver a teu lado?"

maria gabriela llansol

janeiro 01, 2008

Après Noel...


















tout est un peu étrange...
beatrice alemagna, après noel.

dezembro 31, 2007






















tira la piedra de hoy,
olvida y duerme. Si es luz,
mañana la encontrarás
ante la aurora hecha sol.

Juan Ramón Jiménez

img. a partir de sara fanelli

dezembro 29, 2007

tu nunca foste ao fundo do mar...


tu és da terra e se fosses ao fundo do mar morrias afogado.
Mas eu sou uma menina do mar. O mar é a minha terra. Tu se vieres para o mar afogas-te. E eu se for para a terra seco. Não posso estar muito tempo fora de água. Fora de água fico como as algas na maré vaza.
- Que pena que eu tenho de não te poder mostrar a terra! – disse o rapaz.
- E eu que pena tenho de não te poder levar comigo ao fundo do mar para te mostrar as florestas de algas, as grutas de corais e os jardins de anémonas!
excertos colados de sophia, a menina do mar

img. anne herbauts

dezembro 25, 2007

full mooned

















( for i'm much more than 72.8% water )

1st on the 25th








dezembro 24, 2007

careful chemistry













texto de alan fletcher pintado por sara fanelli.
fotos de bresson e bianca brunner

dezembro 23, 2007

through my looking glass...










if I were a... and a... and a... yes, all the times, yes !
(thank you)

dezembro 21, 2007

solstício



















do latim> paragem de sol: momento em que no seu movimento aparente em relação ao eixo da terra, o sol se detém para iniciar o movimento contrário.
A aprender: os movimentos são apenas e sempre aparentes. Mesmo assim, duas vezes ao ano há-que quebrar as rotas, rumar diferente, ao contrário - diferente de ir para trás. Não servem os mapas, nem as bússolas ... a cartografia parece da ordem do instinto, dançando, como um, a dois.
Hoje começa o Inverno... mergulhar dentro bastará para guardar-me deste frio e fazer líquida a música gelada que custo a perceber?
O que diz disso a terra? Ou a lua?...
A paragem é o lugar assinalado em que se espera que o caminho que elegemos nos leve. Redondo para mim, por favor, avançando sábio com o sol.

img. mia's stories

dezembro 19, 2007

my



sun

day

light
harpa
in possible
luz - feminino

1. única radiação captada pelo olho humano

dezembro 15, 2007

wise girl















il.isabelle vandenabeele

dezembro 12, 2007

caminhar até mim é ir até onde?















porque as palavras às vezes surgem, de repente juntas, como estrada que nos diz
agora, guardo em título estas do paulo josé miranda que me encontraram aqui.

il.elena odriozola

dezembro 11, 2007

dezembro 07, 2007












Quando eu nasci...
Foi inventado pela Isabel Minhós Martins e pela Madalena Matoso num planeta chamado
Tangerina. Nasce para o mundo
no Domingo, ao mesmo tempo de
A grande invasão,
outro livro
deste planeta.Tenho a sorte de estar lá perto, entre as árvores e os pássaros,
para celebrá-lo.

( clicar na imagem abaixo )


dezembro 01, 2007

chove









mas quando tem lápis de cor,
brinca aos arcos-íris.








img. anne hagesaether

novembro 29, 2007

novembro 27, 2007

yo bien, tú bien?

Mi abuelo no sabía leer, tampoco sabía escribir. Sin embargo, era conocido Por las historias que contaba. Él encendía, rodeado de críos, las fogatas de San Juan. La caligrafía de mi padre era inclinada, elegante. Tejía el papel con precisión, Como si esculpiera sobre la pizarra. Todavía tengo la postal que envió desde la mili: "Yo bien, tú bien, mándame cien".
Nosotros mandamos
mensajes electrónicos. Es cierto: en tres generaciones hemos recorrido un largo trecho en la historia de la escritura. De todas formas, las preocupaciones, los miedos son los mismos de siempre, y lo seguirán siendo: "Yo bien, tú bien?"

Kirmen Uribe, Mientras tanto dame la mano.
(img.sem referência de autor)

novembro 23, 2007

sometimes i think, sometimes i am














on my very urgent wish list! Não preciso sequer de o ver por dentro ( raríssimo em mim num livro ). É dela, o primeiro para adultos - como se os outros também não fossem. Cinco capítulos: 'Devils and Angels', 'Love', 'Colour', 'Myth' and 'The Absurd' a partir de aforismos e citações que a inspiram: de Dante e Goethe a Calvino e Beckett. Depois, o mundo passa a chamar-se fanelli e não é preciso dizer mais.

novembro 21, 2007

das representações

Se com a pena desenho sobre uma folha de papel a silhueta de um cavalo reduzindo-a a uma linha contínua e elementar, qualquer um estaria disposto a reconhecer um cavalo nesse desenho; no entanto, a única propriedade que o cavalo tem do desenho ( um traço negro contínuo ) é a única propriedade que um autêntico cavalo não tem.
umberto eco, a estrutura ausente.
img. tracy edwards

novembro 19, 2007

the last knit













fabulosa curta da filandesa Laura Neuvonen, a primeira produzida pela
anima vitae,
já premiadíssima. Aqui.

novembro 17, 2007

... e logo outro e outro



















Então deram um beijo doce como o mel...
e logo outro e outro...

tantos, que já não mudaram de sonho.

Titiritesa, editora OQO
em Portugal no início de 2008

il. Maurizio Quarelo

r.o.m.a.ç.a.m.o.r.c.a.l.o.r a.m.o.r.a.s.m.o.r...



















maçãs de não trincar
-
disfarçadas caixas-forte -
para guardar dentro muito
( incandescente, nu )
o calor que resta.

novembro 14, 2007

inside water. water inside















foto re-iluminada vendo "il naufragio", trabalho de valerio vidali.

novembro 11, 2007

2 = 1














São o mesmo livro, editado em 2007. E, incrível facto (!?!), está/estão já venda em Lisboa. Foi aqui que os descobri em primeira mão, há dois dias. É um trabalho a la Salisbury e com as garantias que isso quer dizer. É um catálogo pertinente, cuidado e muito bonito, para além disso. Escolhi o meu pela capa. Estamos de parabéns.

( clicando nas imagens, alguma informação sobre cada edição )

felicidade é...



comer melancia em Novembro !

novembro 08, 2007

( not roses )












flores ( com forma de flor )

novembro 06, 2007

sábado 10

Um dia em Bolonha, alguém me perguntou de onde era. Respondi:
- Portugal.

- Ah! Barreiro!!! - exclamou.
É preciso contextualizar. Estava na Feira do Livro Infantil de Bolonha e a pessoa com quem falava era um ilustrador belga. Mas, de facto, esta resposta é a medida da importância que a Bienal Ilustrarte tem no circuito de ilustração.
É de facto imensa a qualidade daquilo que poderemos ver directamente a partir do próximo Sábado, às 17h. Para esse dia, e até 31 de Janeiro, está marcada a inauguração da mosta do conjunto dos 50 trabalhos seleccionados (entre 1400 concorrentes). Venceu a sempre consagrada Susanne Janssen. São dela estas imagens.

novembro 05, 2007

bi-cycle











... something brought by the dove
(or by the bicycle you were bringing in)
this November's song suits
for new August light's springing



img. wallace

novembro 03, 2007

en garde








( REVISTAS AVANT-GARDE ) --
em Serralves

outubro 30, 2007









monica kulling, "tennis anyone"