fevereiro 29, 2008

para o indizível




(...) quando não há um nome para dizer as coisas, então usam-se as histórias. Funciona assim. Há séculos.
Alessandro Baricco

img. internationale jungendbibliothek

fevereiro 24, 2008

noisy soundtrack

banda sonora: cofcofcof grave, aaaatchimms agudos.
volume: alto.
ambiente: quente, febril.

fevereiro 21, 2008

maria joão worm

"o passado, se aparecesse nos classificados, seria um apartamento que não se aluga nem se pode vender"
Sou suspeita. Sempre me revi no silêncio cheio onde o seu trabalho me faz mergulhar. Sempre, tanto!
Desdobro cuidadosamente este livro de guardas aos corações pequeninos e transforma-se em larga folha única, como se de um jornal se tratasse. São classificados que anunciam electrodomésticos. São anúncios que inventam começos e fins de histórias, onde nos misturamos porque revemos animicamente os que foram nossos algum dia, tão mais vivos que os que hoje habitam nas nossas casas.
Mas antes de abrir vezes sem conta este catálogo de máquinas humanizadas com sentimentos pouco domesticados, estive mais perto delas. Até 6 de março, é imperdível a tripla exposição da Maria João :
electrodomésticos classificados + animais domésticos + animais nas lojas.
Queremos, urgente, as outras duas em livro de guardar! É um privilégio conhecer assim a intimidade do mundo.

galeria Monumental
campo mártires da pátria, 101
3ª a sábado 15h - 19.30h

fevereiro 19, 2008

fevereiro 18, 2008

après l'orage...












( le monde est à l'inverse ).
img. mahmoodi-golnaz

fevereiro 16, 2008

Porque voltou a ser como um carrossel, daqueles com cavalos longos que sobem e descem em mastros decorados como bolos maravilhosos cobertos de icing sugar, que depois se soltam e largam a correr selvagens pelo mundo fora - que é dentro de nós -, antes de regressarem perfeitos, é preciso aqui deixar rasto... esta é a viagem que fazemos à volta das palavras na voz da Cristina, no encadeamento que descobre nos poemas que lhe saem do corpo, dos olhos muito vivos nesse corpo, que se prolonga em absoluta perfeição na música que o Fernando faz acontecer como espaço e tempo. Outra vez assim, ontem, atravessando os estados vários disto a que, por falta de outros meios mais exactos, vamos chamando amor. Luminosamente, "Às escuras o amor", com o rigor de todos outros espectáculos de poesia dita da Andante, é um encontro imperdível, pois o amor não se diz, sente-se, generosamente. É isso que ali acontece.

fevereiro 13, 2008

o livro do Pedro



Chama-se Maria. É a personagem principal do novo livro de Manuela Bacelar, um livro cheio de afectos e muito luminoso. Nasce para o mundo amanhã na Fnac do Chiado, às 18.30h. Felizmente estarei .

fevereiro 11, 2008

Beija-me Depressa!












Muito doces, doces de ovos, em caixa cor de rosa a condizer com o convite/ordem, embrulhado em design dos anos 50. São tradicionais em Tomar, mas podem ser comprados por estes dias de Fevereiro no Chiado.
Cada caixa, com direito a 12 urgentes beijos, custa € 12.
( Apenas não me faz grande sentido a palavra recordação, impressa a bold e num tipo bem maior, na parte lateral das caixas... só pode ter a ver com a rapidez, ou a curta duração dos beijos, uma das duas possibilidades de interpretação de "depressa". Para que não haja equivocos, "Beija-me Já s.f.f" é uma boa solução ).

A VIDA PORTUGUESA

Rua Anchieta 11
Chiado 1000-023 Lisboa
Tel. 21 3465073
Aberta de 2ª a Sábado, das 10h00 às 20h00

fevereiro 05, 2008

dança














João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
drummond de andrade

img. teatro viriato

fevereiro 02, 2008

















0 mundo todo ali.

my img.

janeiro 30, 2008

mais...



















we can never be born enough e.e.cummings
img. parkeharrison

janeiro 26, 2008

janeiro 25, 2008

bird girl (i'm)

first paint a cage
with an open door

then paint
something pretty
something simple
something beatiful
something useful
for the bird
then place the canvas against a tree
in a garden
in a wood
or in a forest
hide behind the tree
without speaking
without moving...
Sometimes the bird comes quickly
but it can also take years
before deciding
Don't be discouraged
wait
wait for years if necessary
the swiftness or slowness of the coming
of the bird having no bearing
on the success of the painting
When the bird comes
if it comes
observe the most profound silence
wait till the bird enters the cage
and when it has entered
gently close the door with a brush
then
rub out all the bars one by one
taking care not to touch any of the bird's feathers
Then paint the portrait of the tree
choosing the most beatiful of its branches
for the bird
paint also the green foliage and the wind's freshness
the dust of the sun
and the noise of insects in the summer heat
and then wait for the bird to decide to sing
If the bird doesn't sing
it's a bad sign
a sign that the painting is bad
but if it sings it is a good sign
a sign that you can sign
so then very gently pull out
one of the feathers of the bird
and write your name in a corner of the painting.

jacques prevert,
"how to paint the portrait of a bird"

janeiro 19, 2008

switching on and off















power failure. light bulbs are not made to play .
img. katrine k.

janeiro 16, 2008

slowlyfullmooning

















round pink... mint moons... white giant cloud...............
imense.... plof sound... laugh... again!
being a part-timer at the moon factory: an addictive pleasure.
img. pep montserrat

janeiro 13, 2008

surpresa ! ! !

... e se de repente algumas das palavras que ouvimos num dos programas de rádio de que mais gostamos tivessem sido escritas por nós... ? Também por nós, porque o olhar do Pedro, o dele em particular, reescreve enquanto lê.
Assim foi. Perdi-o no dia 6 de Janeiro. Mas como é um programa imperdível ( o dentro de quem faz blogs estabelece pontes directas com quem os tem ), recupero os que não ouço no dia, através do site da Antena1. Fi-lo ontem. O formato era diferente - e eu gosto quando o Pedro Rolo Duarte é centro e escolhe a partir daí, com uma lógica autoral mais evidente de que tenho sempre saudades. Já disso dei conta no ano passado, aqui. Agora liam-se textos de posts em blogs do ano de 2007, alternados com música. De repente, la double vie de veronique estava . Feliz, muito surpresa, eu ! ! ! Gosto tanto de fios.

( pergunta minha, já antiga: porque não tem podcast este programa? )
img. betsi walton

janeiro 11, 2008

somewhere else



"it is not down
in any map;
true places never are"
h. melville 
img. isabelle vandenabeele

janeiro 08, 2008

antropologia

Como não queria que a intensidade do meu amor afugentassse a Cotovia, fingi indiferença. Comecei a temer que a táctica não estivesse a dar resultado; parecia aborrecida na minha companhia, não parava de olhar para o relógio, como se estivesse imapaciente por ir para outro sítio muito melhor. Mesmo assim, combinávamos sempre distraídamente novo encontro. Quando, enfeitiçado, sugeri, como quem não quer a coisa, que nos casássemos, encolheu os ombros e, bocejando, disse: - Já agora. Não podia acreditar na minha sorte. O homem perguntou-nos se estávamos preparados para nos amaramos e ampararmos mutuamente para sempre. Cotovia respondeu-lhe "porque não?" e eu disse-lhe que "achava que sim".
Dan Rhodes,
A namorada portuguesa e outras 100 histórias.

Gosto especialmente do tempo que as vírgulas fazem aqui, coreografando em namoro o momento da sugestão. Gosto do que vejo como dança no corpo dos personagens, a partir do ritmo dentro-sinto/fora-ajo "como quem não quer a coisa".
Depois, o resto das histórias, as outras 100. Cada uma com 101 palavras, 1 palavra como título, organizadas alfabeticamente a partir dele ( na versão inglesa ). Sim, era demasiado proposta a la "creative writing workshop", que me irritou assim à primeira; mas no caso - porque as li todas, esqueci-me logo disso. É certo que gosto especialmente de formas breves na escrita, pela exigência. Mas há aqui alguma coisa daquilo que andamos a falar acerca do que pode ser a literatura, e não só numa ou duas histórias; o fôlego mantém-se e com ele o sorriso de nos irmos reconhecendo
cubisticamentede, de namorada para namorada, nisto do que é querer ser um "a dois" . Só não percebo a opção localista do título... demasiado linear pegar noutro título de um dos contos só porque "o nacional" está lá. Sobretudo quando estamos a editar uma proposta desta natureza que usa milimetricamente cada palavra. Perde-se o que diz (sobre tudo que se fala), precisamente, numa palavra. Antropologia era também a que inaugurava o indíce. Tão custosa deve ter sido encontrar a fórmula; vem a namorada portuguesa e estraga tudo. mais 4.